:: Artigo originalmente publicado no site Krsna.com

 

Adolescentes e Celibato - por Urmila Devi Dasi

 

ACelibato é uma parte tão importante na educação Védica que a palavra sânscrita para estudante é brahmacari (“celibatário”). A pressão para se abandonar o celibato começa, naturalmente, na adolescência, o ponto mais perigoso e frequentemente determinante da vida. Jovens adultos precisam de orientação antes e durante a adolescência para reconhecer e seguir o caminho correto.

O celibato conduz os adolescentes a serem auto-restritos, quer permaneçam solteiros ou se casem. Isso desenvolve sua força interior, seu autocontrole e bom-caráter. Isso também traz boa saúde e uma excelente memória.

Sem o celibato, jamais poderemos realizar sermos almas espirituais, distintas do corpo. O sexo reforça a ilusão de que somos esses corpos. Atração sexual e sua extensão na família e sociedade são os principais nós que nos atam à identificação material. A educação Védica visa livrar a criança desses nós para que, quando adolescente, possa agir na plataforma espiritual.

Crianças, é claro, não têm nenhum conhecimento sobre sexo. Como podemos conduzi-las a valorizar o celibato antes de chegarem à puberdade? Por associação e meio de convívio.

Educadores modernos sabem bem como as primeiras impressões das crianças influenciam seu comportamento moral posterior. E tais educadores estão passando seus decadentes valores morais para as nossas crianças. As escolas públicas de Nova Iorque, por exemplo, introduziram recentemente, na primeira série do ensino fundamental, livros que mostram famílias com duas “mamães” e dois “papais” para que as crianças se familiarizem com o homossexualismo.

E as escolas não são o único lugar onde as crianças aprendem a ver o sexo ilícito como algo bom. Formadores de opinião, na televisão, no rádio e em meios políticos, continuam reforçando a mensagem. Os pais reiteram a influência negativa usando contraceptivos e quebrando seus votos matrimoniais.

O resultado, naturalmente, é que as crianças entram na adolescência com atitudes que as conduzem para longe da auto-realização, ou até mesma da vida civilizada. O sexo ilícito, fruto de anos de desorientação, conduz-nos ao caos. E, ironicamente, os mesmos educadores e políticos que promovem o sexo ilícito para as crianças, falam sobre famílias sem pais e crianças indesejadas que se perdem no crime e nas drogas.

Para serem treinadas no celibato, nossos jovens estudantes devem viver com pessoas que encontram prazer na consciência de Krsna. Nossa primeira tarefa é proteger as nossas crianças de influências materialistas e cercá-las com a vida positiva e transcendental. Essa é a única forma de prepará-las para encarar sua transição para a idade adulta.

Mas apenas treinar as crianças não é o suficiente. Prabhupada disse que temos que cuidadosamente guiar nossas crianças durante a adolescência. Só assim se tornarão devotos conscientes de Krsna de primeira classe. Devemos ser como comandantes militares, que não só treinam seus soldados, mas também lhes assistem no campo de batalha.

Tradicionalmente, uma sociedade espiritualmente guiada ajudava os jovens com boa associação, treinamento vocacional e matrimonial. Nossos adolescentes precisam estudar e ser treinados com amigos e professores conscientes de Krsna. De outra forma, Prabhupada disse uma vez, se, dos doze aos quinze anos, eles vão para uma escola comum, a má associação os corrompe. É muito triste ver isso acontecendo com uma criança que teve excelente treinamento na infância e poderia ter se tornado um ser humano de primeira classe.

Independente do melhor treinamento e melhor companhia, a maioria dos adolescentes deseja se associar com o sexo oposto. Assim, a cultura Védica prescreve, como princípio religioso, que se case cedo. Tal tipo de casamento torna a mente pacífica e receptiva à instrução espiritual.

Os pais devem ajudar seus filhos e filhas a encontrarem um cônjuge adequado, a não ser que a criança viva feliz com uma vida inteira de celibato. Os pais devem entender que os adolescentes têm apenas três escolhas no que se refere à moralidade sexual: celibato, matrimônio ou imoralidade. Devido ao perigo oferecido por uma sociedade onde garotos e garotas se misturam livremente, o casamento deve ser encorajado.

Nós, muitas vezes, pensamos equivocadamente que casamento “arranjado” significa que os pais forçam uma garota de doze anos a se casar com um homem de trinta – e eles se conhecem pela primeira vez no casamento. Prabhupada nos traz uma visão diferente. Ele nos apresentou um processo gradual, durando, frequentemente, muitos anos. Os pais procuram por um cônjuge adequado para seus filhos, considerando que o garoto e a garota devem ser iguais em caráter, qualidades, posição social e renúncia.

Os pais julgam a compatibilidade através de suas próprias observações, perguntando a outros, e através da astrologia. Os desejos do garoto e da garota também são importantes. Uma vez que as famílias, o garoto e a garota estejam de acordo, um período de associação ocasional supervisionada tem início. É como se os pais apresentassem seu filho ou filha a uma dama ou cavalheiro de companhia que arranjaria “encontros” formais para preparar os jovens para o casamento. Quando os jovens estiverem com idade suficiente para se casarem, a garota pode continuar fazendo longas e regulares visitas à casa de seus pais para que gradualmente se acostume com a idéia de ser esposa. Uma família expandida facilita esse processo ajudando o novo casal em seus deveres e relacionamento.

Esse processo exaustivamente testado no passado pode ser facilmente adotado atualmente. Uma garota ocupada com um garoto adequado não precisa fazer propaganda de si para encontrar um homem. E o garoto sabe que não pode se casar até que se torne responsável. Ele é, assim, motivado a tornar-se um homem maduro, consciente e de bom caráter.

Treinados desde pequenos em renúncia, o casamento deles será dedicado a Krsna, que é tudo o que desejamos para o futuro de nossas crianças.


Tradução por Bhagavan dasa (DVS)


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