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Confira
em nossa galeria as fotos do transcendental
Festival em homenagem ao aparecimento de Sri
Nrsimhadeva.
Nrsimhadeva, o Protetor dos Devotos
por Aja Govinda Dasa
Uma das formas mais
deslumbrantes do Senhor Krsna é a de Sri Nrsimhadeva,
Sua encarnação como meio homem meio
leão. O Senhor Nrsimha aparece para proteger
Seu devoto Sri Prahlada Maharaja do ateísta
rei Hiranyakasipu, o próprio pai de Prahlada.
Prahlada,
o Garoto Santo
Sri Prahlada Maharaja era devoto do Senhor Krsna desde
seu nascimento, tendo recebido o conhecimento acerca
do serviço devocional ainda no ventre. Certa
vez, durante a ausência de Hiranyakasipu, seus
inimigos, os semideus, servos do Senhor Supremo responsáveis
pela a administração do universo, seqüestraram
sua esposa para matarem seu embrião. Eles temiam
que aquele embrião pudesse se tornar, posteriormente,
outro poderoso inimigo. Sri Narada Muni, todavia,
resgatou a mãe e a criança após
convencer os semideuses que aquele garoto no ventre
era um grandioso devoto do Senhor Krsna. [Veja a seção
extra ao fim “Por que Prahlada se torna filho de Hiranyakasipu”].
No ventre de sua mãe,
enquanto ela permanecia no asrama de Narada Muni,
Prahlada ouviu os tópicos transcendentais concernentes
às glorias do Senhor, refugiou-se no infalível
abrigo dos pés de Krsna, e se tornou completamente
destemido. Posteriormente, embora fosse apenas uma
criança de cinco anos, possuía firme
fé na proteção do Senhor, e invocou
essa mesma devoção pura ao Senhor no
coração de seus colegas de sala da escola
ateísta de Sukracarya, o guru dos daityas,
ou ateístas descendentes de Diti. Muito enraivecido
pela indesviável devoção de seu
filho por seu pior inimigo – o Senhor Visnu, a forma
de quatro braços do Senhor Krsna – Hiranyakasipu
sentenciou Prahlada à morte. Os servos de Hiranyakasipu
tentaram de tudo para matar Prahlada. Tentaram matá-lo
por fome, por envenenamento, rogando-lhe maldições,
assombrando-o com demônios e fantasmas, mandando
um elefante pisoteá-lo, prendendo-o com cobras
venenosas, arremessando-o de altas montanhas e o atacando
com pedras, fogo e gelo. Apesar de todos os esforços
de Hiranyakasipu, Prahlada permanecia intocado, o
que fez a ira daquele rei demoníaco crescer
ainda mais.
O Plano de
Hiranyakasipu para se Tornar Deus
A inimizade de Hiranyakasipu para com o Senhor Visnu
começou quando o Senhor, sob Sua forma como
um javali gigante, matou o irmão gêmeo
de Hiranyakasipu, Hiranyaksa, que havia desequilibrado
a Terra por gananciosamente minerá-la em busca
de mais e mais ouro. Com a morte de seu irmão,
Hiranyakasipu acusou o Senhor Visnu de parcialidade
para com os semideuses: “A Suprema Personalidade de
Deus abandonou Sua tendência de ser equânime
para com os demônios e semideuses. Embora Ele
seja a Pessoa Suprema, agora, influenciado por maya
[ilusão], Ele assumiu a forma de um javali
para comprazer Seus devotos, os semideuses, assim
como uma criança inquieta se inclina mais a
uma pessoa do que a outra”.
O Senhor, de fato,
nunca demonstra parcialidade para com alguém:
samo ‘ham sarva-bhuteshu na me dveshyo ‘sti na priyah
(Bhagavad-gita 9.29). Ele simplesmente reciproca cada
entidade viva de acordou com seus desejos individuais.
O Senhor Krsna diz no Bhagavad-gita (4.11):
ye yatha mam prapadyante
tams tathaiva bhajamy aham
mama vartmanuvartante
manushyam partha sarvashah
“A todos aqueles que
se rendem a Mim, Eu os recompenso proporcionalmente.
Todos seguem o Meu caminho sob todos os aspectos,
Ó filho de Prtha”. Assim, o Senhor aparece
como a morte para o ateísta e como o salvador
amoroso para o Seu devoto; uma vez que está
acima de qualquer idéia de afinidade material.
Para vingar a morte
de seu irmão, o poderoso daitya Hiranyakasipu
prometeu satisfazer a alma de seu irmão derramando
o sangue de Visnu. Para obter o poder e imortalidade
que precisava, executou penitências humanamente
impossíveis, através das quais obteve
favores do senhor Brahma, o criador do universo. Hiranyakasipu
pensou que poderia se tornar Deus através de
suas austeridades e penitências pessoais. Ele
tolamente concluiu que, uma vez que o Senhor Visnu
estava favorecendo os semideuses, Ele também
era uma alma condicionada comum (influenciada por
atração e rejeição) que
havia se tornado Deus através de austeridades.
Essa mentalidade é própria dos filósofos
Mayavadis, que dizem que cada alma é Deus iludido
por maya e, uma vez que a ilusão seja dissipada,
a alma novamente realiza sua identidade como Deus.
Essa teoria, todavia, é inaceitável
quando consideramos a supremacia do Senhor Krsna,
a Suprema Personalidade de Deus, como Ele estabelece
no Bhagavad-gita (9.10):
mayadhyakshena prakritih
suyate sa-caracaram
hetunanena kaunteya
jagad viparivartate
“Esta natureza material,
que é uma de Minhas energias, funciona sob
Minha direção, ó filho de Kunti,
produzindo todos os seres, móveis e inertes.
Sob sua ordem, esta manifestação é
criada e aniquilada repetidas vezes”. A energia material,
maya, é uma das diversas potências do
Senhor Supremo. Sendo maya completamente submissa
ao Senhor, não há nenhuma possibilidade
do Senhor Supremo e Absoluto ser controlado por sua
influência. As entidades vivas, todavia, uma
vez que são partes diminutas do Senhor, podem
ser iludidas. A teoria Mayavada, de que após
a liberação a alma se funde em Deus,
é refutada no Bhagavad-gita (15.7, 2.12), onde
Krsna declara que todas as almas jivas são
Suas partes eternas, sendo sempre individuais.
Os Mayavadis também
declaram que a concepção mais elevada
de Deus é a do impessoal e todo penetrante
nirguna brahman (a Verdade Absoluta destituída
de qualidade, atributos e forma), que aceita um corpo
material, como o nosso, sempre que vem a este mundo.
Assim, para os Mayavadis, o Senhor Visnu ou Krsna
são saguna-brahman (Brahman com atributos e
formas) que, para eles, quer dizer que estão
iludidos pela energia material, uma vez que não
podem entender a transcendência com forma e
qualidades.
Frustrados devido
ao sofrimento causado pelo corpo material, os filósofos
impersonalistas concebem a transcendência, ou
liberação, como destituídas de
qualidades e atributos. O Senhor comenta sobre essa
noção:
avyaktam vyaktim
apannah
manyante mam abuddhayah
param bhavam ajananto
mamavyayam anuttamam
“Homens sem inteligência,
que não Me conhecem perfeitamente, pensam que
Eu, a Suprema Personalidade de Deus, Krsna, antes
teria sido impessoal e que agora assumi esta personalidade.
Devido a seu conhecimento limitado, eles não
conhecem Minha natureza superior, que é imperecível
e suprema” (Bhagavad-gita 7.24). Aprendemos, portanto,
através do Bhagavad-gita, que o Senhor Krsna
nunca fez nenhuma austeridade ou penitência
para se tornar Deus. Ele é eternamente a Suprema
Verdade Absoluta, e as almas individuais são
Suas eternas partes fragmentárias.
Nrsimhadeva
mata Hiranyakasipu
Assim como os Mayavadis mantêm a falsa teoria
de que uma alma pode se tornar Deus através
de um pouco de penitências, Hiranyakasipu considerava
que poderia se tornar invencível e vencer o
Senhor Visnu com seus poderes. Mas Prahlada desafiava
seu poder.
O arrogante Hiranyakasipu
rogou-lhe pragas e inquiriu: “De onde você tira
forças para desafiar minha supremacia?”.
“O Senhor Visnu é
a fonte de minhas forças”, respondeu o destemido
Prahlada. “Ele é a origem da força de
todos, inclusive da sua”.
Ouvir que sua força
era produto da graça de Visnu, seu pior inimigo,
foi o pior dos insultos para Hiranyakasipu, que desafiou
Prahlada: “Maldito Prahlada, você está
sempre falando sobre um supremo controlador onipresente
superior a mim. Se ele está em todo o lugar,
por que, então, Ele não está
presente diante de mim neste pilar? Se ele não
aparecer deste pilar, separarei, hoje, sua cabeça
de seu corpo com minha espada”.
Com essas palavras,
Hiranyakasipu golpeou o pilar, do qual ouviu-se um
som tão alto que parecia que a cobertura do
universo seria destruída. [Veja a seção
extra ao fim “Como Prahlada Sabia que o Senhor Nrsimha
Iria Protegê-lo”].
Para comprovar a afirmação
de Seu devoto Prahlada, o Senhor Supremo apareceu
do pilar em uma forma jamais vista, uma forma que
não era nem homem, nem leão: a forma
de Sri Nrsimhadeva.
Embora Hiranyakasipu
parecesse uma mariposa entrando no fogo quando foi
atacar o Senhor Nrsimha, ele ridiculamente pensou
que poderia derrotar o Senhor como fizera anteriormente
com seus demais inimigos. Anteriormente, quando seu
irmão fora morto, Hiranyakasipu, irado, se
dirigiu para a residência do Senhor com um tridente
em mãos. O Senhor então desapareceu
entrando na narina de Hiranyakasipu. Não conseguindo
achá-lO, Hiranyakasipu considerou que Deus
estava morto.
Agora, Hiranyakasipu
confrontava o Senhor, que brincou com ele da mesma
forma que um gato brinca com um rato. Quando o sol
começou a se pôr, o Senhor Nrsimha colocou
Hiranyakasipu em Seu colo e enterrou Suas garras no
torso do demônio.
O daitya exclamou:
“Como isso é possível? Meu corpo que
está sendo rasgado agora por Nrsimhadeva é
o mesmo corpo que quebrou as presas de Airavata, o
elefante de Indra; é o mesmo corpo que não
sofreu nenhum ferimento, mesmo após ter sido
golpeado pelo machado do senhor Shiva”. (Nrsimha Purana
44.30)
Nrsimhadeva rasgou
o peito pétreo de Hiranyakasipu com Suas garras
semelhantes a diamantes. O Senhor, então, enguirlando-se
com os intestinos do rei como se fosse Sua guirlanda
da vitória, e, para convencer os semideuses
da morte de Hiranyakasipu, o Senhor arrancou o coração
do daitya.
Como outro aspecto
de Sua peça divina, o Senhor de repente se
surpreendeu ao ver que o corpo de Hiranyakasipu havia
desaparecido. Quando balançou Suas mãos,
todavia, os pedaços mutilados do corpo de Hiranyakasipu
caíram de Suas unhas no chão (Nrsimha
Purana 44.32-35). Assim, entendemos que Hiranyakasipu
era apenas um insignificante inseto se comparado com
o leão transcendental, o Senhor Nrsimhadeva,
como confirma Jayadeva Gosvami:
tava kara-kamala-vare
nakham adbhuta-shringam
dalita-hiranyakashipu-tanu-bhringam
keshava dhrita-narahari-rupa jaya jagadisha hare
“Ó Keshava!
Ó Senhor do universo! Ó Senhor Hari,
que assumiu a forma metade homem, metade leão!
Todas as glórias a Ti! Assim como se pode facilmente
esmagar uma vespa entre as unhas, o corpo de Hiranyakasipu,
um demônio parecido com uma vespa, foi dilacerado
pelas afiadas unhas de Tuas belas mãos de lótus”.
O Senhor Nrsimhadeva
derrotou Hiranyakasipu sem contrariar nenhuma das
bênçãos concedidas pelo senhor
Brahma, que abençoara Hiranyakasipu para que
não fosse morto:
dentro ou fora de
qualquer residência (o Senhor o matou no portal
de entrada)
nem durante o dia nem durante a noite (o Senhor
o matou no crepúsculo)
nem no céu nem na terra (o Senhor o matou
em Seu colo)
nem por homem nem por animal (o Senhor Nrsimha é
meio homem, meio leão)
nem por nenhum semideus, demônio ou serpente
divina (o Senhor está acima de todas essas
categorias)
nem por qualquer arma ou entidade, corporificada
ou não-corporificada (O Senhor Nrsimha perfurou
o daitya com Suas garras, que não são
consideradas armas, e o Senhor é transcendental
ao processo de corporificação e descorporificação).
Por fim, Hiranyakasipu
não poderia ser morto por nenhuma entidade
viva, criada ou não criada por Brahma. Hiranyakasipu
teve o cuidado de garantir que também não
seria morto pelo senhor Brahma, pelo senhor Shiva
ou pelo Senhor Visnu, as três deidades que presidem
o universo (as três únicas personalidades
que não foram criadas por Brahma). O Senhor
Nrsimha é um lila-avatara, ou encarnação
de passatempo do Senhor Krsna, e não está
na categoria que inclui Brahma, Shiva e Visnu, que
são guna-avataras, deidades com o encargo
dos três modos da natureza material.
Hiranyakasipu, o ditador
do universo, desejou inverter o sistema piedoso criado
por Krsna. Ele queria que os impiedosos fossem recompensados
e os piedosos, punidos. Assim, com a morte de Hiranyakasipu,
todos os semideuses e habitantes de diversos planetas
piedosos ofereceram orações ao Senhor
Nrsimha, expressando gratidão por o Senhor
ter matado o daitya, que havia roubado suas esposas,
riquezas e a parte das oferendas sacrificiais que
lhes cabia. Apenas Prahlada Maharaja, todavia, pôde
acalmar, com suas orações devocionais,
a ira transcendental do Senhor Nrsimha, que está
disposto a aparecer sob qualquer forma e em qualquer
lugar para proteger Seus devotos puros.
O Senhor Nrsimha ficou
extasiado ao ver a fé inabalável de
Prahlada Maharaja, e pediu repetidas vezes para que
ele Lhe pedisse alguma benção. Mas Prahlada,
como o mais compassivo de todos os devotos, se interessa
muito mais pelo bem dos outros do que com o seu próprio;
assim, seu único pedido foi que o Senhor salvasse
seu pai demoníaco. Satisfeito, o Senhor Supremo
garantiu liberação para vinte e uma
gerações de parentes da dinastia de
Prahlada Maharaja.
(extra)
Por que Prahlada
se torna filho de Hiranyakasipu
Certa vez, o poderoso Hiranyakasipu subiu
até o pico do monte Kailasa, a residência
do senhor Siva, e começou a praticar severas
austeridades. O senhor Brahma, o administrador do
universo, sabendo que Hiranyakasipu aterrorizaria
todo o universo com os poderes adquiridos através
de suas austeridades, começou a meditar em
como deter o daitya. O sábio Narada garantiu
a seu temeroso pai, Brahma, que iria distrair Hiranyakasipu
de seu transe ascético.
Narada e seu amigo
Parvata Muni assumiram, então, a forma de dois
pássaros e voaram para o local onde Hiranyakasipu
estava em profunda meditação. Lá,
eles recitaram três vezes o mantra om namo narayanaya.
Ao ouvir o nome de seu inimigo Narayana, ou Visnu,
Hiranyakasipu atirou uma flecha para matar os pássaros,
mas os sábios voaram para longe.
Tendo já perdido
a concentração em suas penitências,
Hiranyakasipu se recolheu ao seu palácio, onde
desfrutou da noite junto de sua rainha Kayadhu. Kayadhu
perguntou a seu esposo por que ele havia abandonado
sua determinação em executar penitências
por dez mil anos. Ele contou para ela sobre os pássaros
que lhe perturbaram cantando em voz alta o nome de
Narayana. O daitya estava desfrutando de forma íntima
a companhia de sua esposa, e seu sêmen foi liberado
em seu interior no exato momento em que contou para
ela sobre o mantra om namo narayanaya. Assim, o santo
nome do Senhor foi recitado no momento da concepção
de Sri Prahlada Maharaja.
— do Nrsimha Purana
41.7–34
Como Prahlada
Sabia que o Senhor Nrsimha Iria Protegê-lo
Como uma das últimas tentativas de
matar Prahlada, Hiranyakasipu ordenou a seus soldados
amararem Prahlada com nagapasha (corda de cobra) durante
o começo da madrugada, jogá-lo no mar,
e rolarem diversos pedregulhos gigantes para que o
esmagassem no fundo do oceano. Quando Prahlada foi
atirado no oceano, todavia, as ondas levaram o garoto
para a costa, onde o transportador pessoal do Senhor
Visnu, a gloriosa ave Garuda, aguardava Prahlada para
libertá-lo das cobras que lhe prendiam. Então,
Varuna, o senhor do mar, despertou Prahlada oferecendo-lhe
seus respeitos.
Ao reaver seus sentidos,
Prahlada orou a Varuna: “Ó senhor do oceano,
és muito afortunado, pois sempre vês
o Senhor Visnu, que repousa em uma cama de serpente
sobre tuas águas. Por favor, instrui-me a como
vê-lO pessoalmente, bem diante de meus olhos”.
Varuna respondeu:
“Querido Prahlada, ó melhor dos yogis, simplesmente
ora a Ele em meditação profunda, e o
Senhor, que é o benquerente de Seus devotos,
certamente aparecerá diante de ti”.
Tendo respondido,
Varuna desapareceu entre as águas.
Sentindo-se desqualificado
para alcançar o Supremo Senhor Visnu, Prahlada
chorou na praia com seu coração repleto
de pesar, até que desmaiou.
Então, o Senhor
Visnu apareceu ali e levantou Prahlada, colocando-o
em Seu colo. Despertado pelas afáveis mãos
do Senhor, Prahlada estava com medo, surpreso e satisfeito
por ver o Senhor, e novamente desmaiou em profundo
êxtase. O Senhor abraçou Prahlada, e
quando Prahlada recobrou sua consciência, ofereceu
reverência no chão para o Senhor, mas
não conseguiu oferecer-Lhe orações.
O Senhor o levantou
do chão e disse: “Querido filho, abandone esse
medo de Minha grandeza, pois não Me há
ninguém mais querido do que você. Por
favor, peça-Me qualquer coisa que deseje do
fundo de seu coração”.
Prahlada respondeu:
“Meu Senhor, tudo o que desejo é contemplar
o néctar de Sua forma divina, que é
raramente vista mesmo pelos mais grandiosos semideuses”.
Quando o Senhor insistiu
que Prahlada Lhe pedisse uma benção,
o grande santo pediu unicamente devoção
imaculada e exclusiva por Ele.
Após abençoar
Prahlada dizendo que teria tudo o que desejasse e
desfrutaria de todos os prazeres, o Senhor disse:
“Não fique ansioso por Meu desaparecimento,
pois Eu nunca deixo o seu coração. Muito
em breve você Me verá novamente, quando,
para matar Hiranyakasipu, Eu aparecerei na forma de
Nrsimha – querida pelos santos e mortal para os ateístas”.
— do Nrsimha Purana
43.28–85
O Dia do Aparecimento
Transcendental de Nrsimhadeva
Um dos capítulos do Padma Purana,
o Uttara Khanda, descreve as glórias do Sri
Nrsimha Caturdashi, o dia do aparecimento transcendental
do Senhor Nrsimha. Nesse capítulo, o senhor
Siva narra a seguinte história pra sua esposa
Parvati:
Depois que o Senhor
Nrsimha derrotara Hiranyakasipu, Prahlada ofereceu-Lhe
orações com profunda devoção
e, então, perguntou ao Senhor: “Como pude eu,
meu Senhor, obter a raríssima posição
do serviço devocional puro à Suprema
Personalidade de Deus?”.
O Senhor Nrsimhadeva
respondeu: “Prahlada, em sua vida anterior você
foi um indigno filho de um brahmana. Rejeitando as
escrituras Védicas, você era extremamente
apegado a diversas atividades pecaminosas. Simplesmente
por observar completo jejum – de alimentos e de água
– no auspicioso dia de Meu aparecimento, o Sri Nrsimha
Caturdashi, você obteve o serviço devocional
puro por Mim. E todo aquele que observa esse jejum,
Eu lhe garanto eterna bem-aventurança, desfrute
e liberação”.
O Senhor Nrsimha é
uma forma eterna do Senhor que aparece em diversos
universos em diferentes momentos para executar Seus
passatempos divinos. Seu Nrsimha Caturdashi, o décimo
quarto dia lunar da lua crescente do mês de
Madhusudana, é, portanto, eternamente um dia
sagrado, no qual Seus devotos jejuam a fim de glorificarem
o aparecimento transcendental do Senhor.
Tradução
por Bhagavan dasa (DvS)
108 Nomes
do Senhor Nrsimhadeva
1. Om narasimhaya
namah - Reverências ao Senhor meio-homem meio-leão;
2. Om mahasimhaya namah - Reverências ao grandioso
leão;
3. Om diyva-simhaya namah - Reverências ao leão
divino;
4. Om mahabalaya namah - Reverências àquele
que é imensamente poderoso;
5. Om ugra-simhaya namah - Reverências ao terrífico
leão;
6. Om mahadevaya namah - Reverências ao Senhor
dos senhores;
7. Om stambha-ja-aya namah - Reverências àquele
que apareceu do pilar;
8. Om ugra-locanaya namah - Reverências àquele
de olhos coléricos;
9. Om raudraya namah - Reverências à
ira personificada;
10. Om sarvadbhutaya namah - Reverências àquele
que é maravilhoso em todos os sentidos;
11. Om srimanaya namah - Reverências ao mais
belo;
12. Om yoganandaya namah - Reverências à
origem da bem-aventurança ióguica;
13. Om trivikramaya namah - Reverências àquele
que deu três passos gigantescos [como Vamana];
14. Om harine namah - Reverências àquele
que leva nossos problemas embora;
15. Om kolahalaya namah - Reverências àquele
que ruge ruidosamente [referência também
a Varaha];
16. Om cakrine namah - Reverências àquele
que porta o disco [sudarsana];
17. Om vijayaya namah - Reverências àquele
que é sempre vitorioso;
18. Om jaya-vardhanaya namah - Reverências a
Ele cujas glórias são sempre crescentes;
19. Om panchananaya namah - Reverências àquele
que possui cinco cabeças;
20. Om param-brahma-aya namah - Reverências
à Suprema Verdade Absoluta;
21. Om aghoraya namah - Reverências àquele
que não é horripilante aos Seus devotos;
22. Om ghora-vikramaya namah - Reverências a
Ele cujas atividades são horrendas;
23. Om jvalan-mukhaya namah - Reverências àquele
cuja face é refulgente;
24. Om jvala-maline namah - Reverências àquele
que traja uma refulgente guirlanda de fogo;
25. Om mahajvalaya namah - Reverências ao mais
refulgente;
26. Om maha-prabhuhaya namah – Reverências ao
Mestre Supremo;
27. Om niti-laksaya namah - Reverências a Ele
que possui todas as boas qualidades morais;
28. Om sahasraksaya namah - Reverências àquele
que possui mil olhos;
29. Om durniriksyaya namah - Reverências àquele
para o qual é difícil olhar;
30. Om pratapanaya namah - Reverências àquele
que oprimi Seus inimigos com grande poder;
31. Om mahadamstraya namah - Reverências àquele
que possuir grandes dentes;
32. Om yudha-prajnaya namah - Reverências àquele
cuja inteligência bélica é incomparável;
33. Om canda-kopine namah - Reverências a Ele
que é comparado a uma lua irada;
34. Om sada-sivaya namah – Reverências ao Senhor
todo-auspicioso;
35. Om hiranyakasipu-dhvamsine namah – Reverências
a Ele que extermina Hiranyakasipu;
36. Om daitya-danava-bhanjanaya namah - Reverências
a Ele que extermina inúmeras raças de
demônios e gigantes;
37. Om guna-bhadraya namah – Reverências a Ele
que é pleno de qualidades maravilhosas;
38. Om mahabhadraya namah - Reverências ao supremamente
auspicioso;
39. Om bala-bhadraya namah - Reverências a Ele
que é auspiciosamente poderoso;
40. Om subhadrakaya namah - Reverências ao extremamente
auspicioso;
41. Om karalaya namah – Reverências àquele
cuja boca se abre amplamente; 42. Om vikaralaya namah
– Reverências àquele de boca enorme;
43. Om vikartaya namah – Reverências ao Senhor
que executa atividades maravilhosas;
44. Om sarva-kartrikaya namah – Reverências
ao Senhor que executa todas as atividades;
45. Om sisumaraya namah – Reverências a Ele
que também aparece como Matsya;
46. Om trilokatmaya namah - Reverências à
alma dos três mundos;
47. Om isaya namah – Reverências ao controlador;
48. Om sarvesvaraya namah - Reverências ao controlador
supremo;
49. Om vibhuaya namah – Reverências àquele
que é o melhor em tudo;
50. Om bhaivaradambaraya namah – Reverências
àquele que aterroriza rugindo no céu;
51. Om divyaya namah – Reverências àquele
de personalidade divina;
52. Om acyutaya namah – Reverências ao Senhor
que nunca falha com Seus devotos;
53. Om kavine namah - Reverências àquele
de inteligência poética;
54. Om madhavaya namah - Reverências ao esposo
de Srimati Laksmidevi;
55. Om adhoksajaya namah - Reverências àquele
que está além de toda compreensão
ou explicação;
56. Om aksaraya namah - Reverências ao infalível;
57. Om sarvaya namah – Reverências a Ele que
é a origem de tudo;
58. Om vanamaline namah – Reverências àquele
que usa guirlandas de flores silvestres (ou aquele
que é adornado por Seus amáveis devotos);
59. Om varapradaya namah – Reverências ao Misericordioso
Senhor que concede benção aos dignos,
como Prahlada;
60. Om visvambaraya namah - Reverências ao mantenedor
do universo;
61. Om adbhutaya namah – Reverências a Ele que
é extremamente maravilhoso;
62. Om bhavyaya namah – Reverências ao determinador
do futuro (aquele que é o futuro para Seus
devotos);
63. Om sri-visnave namah – Reverências a Ele
que é onipresente;
64. Om purusottamaya namah - Reverências ao
Desfrutador Supremo;
65. Om anaghastra namah – Reverências a Ele
que não é ferido por arma alguma;
66. Om nakhastraya namah – Reverências àquele
cujas unhas afiadas são usadas como armas;
67. Om surya-jyotine namah - Reverências a Ele
que é a origem dos raios solares;
68. Om suresvaraya namah – Reverências ao Senhor
dos devatas;
69. Om sahasra-bahu-aya namah – Reverências
ao Senhor de mil braços;
70. Om sarva-jnaya namah – Reverências àquele
que tudo sabe;
71. Om sarva-siddhi-pradayakaya namah – Reverência
a Ele que concede todas as perfeições
aos devotos;
72. Om vajra-damstraya namah – Reverências àquele
cujos dentes são como raios;
73. Om vajra-nakhaya namah - Reverências àquele
cujas unhas são como raios;
74. Om mahanandaya namah – Reverências à
origem da bem-aventurança suprema;
75. Om param-tapaya namah - Reverências à
origem de toda austeridade e energia espiritual (também
calor);
76. Om sarva-mantraika-rupa namah – Reverências
àquele que, embora um, aparece como vários
mantras;
77. Om sarva-yantra-vidaramaya namah – Reverências
àquele que destrói todas as maquinas
(planos, arranjos e veículos para fins demoníacos);
78. Om sarva-tantratmakaya namah – Reverência
ao proprietário e essência de todos os
ritos (pujas, etc.);
79. Om avyaktaya namah – Reverências ao Senhor
que parece imanifesto;
80. Om suvyaktaya namah – Reverências àquele
que, quando Seus devotos necessitam, aparece maravilhosamente
do pilar;
81. Om bhakta-vatsala namah – Reverências ao
Senhor cujo coração sempre carrega a
felicidade de Seus devotos;
82. Om vaisakha-sukla-bhototthaya namah – Reverência
àquele que apareceu durante a lua crescente
do mês de Visakha (abril/maio);
83. Om saranagata-vatsalaya namah – Reverências
àquele que é muito gentil com aqueles
que Lhe são rendidos (como a leoa com seus
filhotes);
84. Om udara-kirtine namah – Reverências àquele
que é universalmente famoso;
85. Om punyatmaya namah – Reverências a Ele
que é a essência da piedade; 86. Om mahatmaya
namah – Reverências à grande personalidade
Nrsimhadeva;
87. Om candra-vikramaya namah – Reverência a
Ele cujos feitos eclipsam os feitos de todos os demais;
88. Om vedatrayaya namah – Reverências ao Senhor
dos três Vedas originais (Rg, Yajur e Sama);
89. Om prapujyaya namah – Reverências a Ele
que é completamente adorável;
90. Om bhagavanaya namah – Reverências à
Suprema Personalidade de Deus;
91. Om paramesvaraya namah – Reverências ao
controlador supremo;
92. Om srivatsamkaya namah – Reverências àquele
que é marcado com o símbolo de Laksmi,
tal qual Krsna;
93. Om jagat-vyapine namah – Reverências a Ele
que penetra todo o universo;
94. Om jagan-mayaya namah – Reverências ao Místico
Supremo que faz com que o mundo material pareça
real;
95. Om jagat-palaya namah – Reverências ao protetor
do universo;
96. Om jagannathaya namah – Reverências ao Senhor
do universo;
97. Om mahakhagaya namah – Reverências àquele
que se move com o ar (que está em toda a parte);
98. Om dvi-rupa-bhrtaya namah – Reverências
a Ele que é a combinação de duas
formas (homem e leão);
99. Om paramatmaya namah – Reverências a Ele
que é Superalma de todos os seres;
100. Om param-jyotine namah - Reverências a
Ele cuja refulgência é o Brahman;
101. Om nirgunaya namah – Reverências àquele
cujas qualidades não derivam dos gunas, mas
são transcendentais;
102. Om nrkesarine namah – Reverências àquele
de grande juba;
103. Om para-tattvaya namah – Reverências à
Suprema Verdade Absoluta;
104. Om param-dhamaya namah – Reverências a
Ele que vem da Morada Suprema;
105. Om sac-cid-ananda-vigrahaya namah – Reverências
àquele cuja forma é feita de conhecimento
e bem-aventurança eternos;
106. Om laksmi-nrsimhaya namah – Reverências
ao casal Nrsimhadeva e suprema deusa da fortuna Srimati
Laksmidevi;
107. Om sarvatmaya namah – Reverências à
alma universal original;
108. Om dhiraya namah – Reverências ao Senhor
que está sempre sóbrio (que nunca se
confunde).
Tradução
por Bhagavan dasa (DvS) a pedido de Bn Ílziris
Miranda (DvS)
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