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Nrsimhadeva, o Protetor dos Devotos

por Aja Govinda Dasa


Uma das formas mais deslumbrantes do Senhor Krsna é a de Sri Nrsimhadeva, Sua encarnação como meio homem meio leão. O Senhor Nrsimha aparece para proteger Seu devoto Sri Prahlada Maharaja do ateísta rei Hiranyakasipu, o próprio pai de Prahlada.

Prahlada, o Garoto Santo
Sri Prahlada Maharaja era devoto do Senhor Krsna desde seu nascimento, tendo recebido o conhecimento acerca do serviço devocional ainda no ventre. Certa vez, durante a ausência de Hiranyakasipu, seus inimigos, os semideus, servos do Senhor Supremo responsáveis pela a administração do universo, seqüestraram sua esposa para matarem seu embrião. Eles temiam que aquele embrião pudesse se tornar, posteriormente, outro poderoso inimigo. Sri Narada Muni, todavia, resgatou a mãe e a criança após convencer os semideuses que aquele garoto no ventre era um grandioso devoto do Senhor Krsna. [Veja a seção extra ao fim “Por que Prahlada se torna filho de Hiranyakasipu”].

No ventre de sua mãe, enquanto ela permanecia no asrama de Narada Muni, Prahlada ouviu os tópicos transcendentais concernentes às glorias do Senhor, refugiou-se no infalível abrigo dos pés de Krsna, e se tornou completamente destemido. Posteriormente, embora fosse apenas uma criança de cinco anos, possuía firme fé na proteção do Senhor, e invocou essa mesma devoção pura ao Senhor no coração de seus colegas de sala da escola ateísta de Sukracarya, o guru dos daityas, ou ateístas descendentes de Diti. Muito enraivecido pela indesviável devoção de seu filho por seu pior inimigo – o Senhor Visnu, a forma de quatro braços do Senhor Krsna – Hiranyakasipu sentenciou Prahlada à morte. Os servos de Hiranyakasipu tentaram de tudo para matar Prahlada. Tentaram matá-lo por fome, por envenenamento, rogando-lhe maldições, assombrando-o com demônios e fantasmas, mandando um elefante pisoteá-lo, prendendo-o com cobras venenosas, arremessando-o de altas montanhas e o atacando com pedras, fogo e gelo. Apesar de todos os esforços de Hiranyakasipu, Prahlada permanecia intocado, o que fez a ira daquele rei demoníaco crescer ainda mais.

O Plano de Hiranyakasipu para se Tornar Deus
A inimizade de Hiranyakasipu para com o Senhor Visnu começou quando o Senhor, sob Sua forma como um javali gigante, matou o irmão gêmeo de Hiranyakasipu, Hiranyaksa, que havia desequilibrado a Terra por gananciosamente minerá-la em busca de mais e mais ouro. Com a morte de seu irmão, Hiranyakasipu acusou o Senhor Visnu de parcialidade para com os semideuses: “A Suprema Personalidade de Deus abandonou Sua tendência de ser equânime para com os demônios e semideuses. Embora Ele seja a Pessoa Suprema, agora, influenciado por maya [ilusão], Ele assumiu a forma de um javali para comprazer Seus devotos, os semideuses, assim como uma criança inquieta se inclina mais a uma pessoa do que a outra”.

O Senhor, de fato, nunca demonstra parcialidade para com alguém: samo ‘ham sarva-bhuteshu na me dveshyo ‘sti na priyah (Bhagavad-gita 9.29). Ele simplesmente reciproca cada entidade viva de acordou com seus desejos individuais. O Senhor Krsna diz no Bhagavad-gita (4.11):

ye yatha mam prapadyante
tams tathaiva bhajamy aham
mama vartmanuvartante
manushyam partha sarvashah

“A todos aqueles que se rendem a Mim, Eu os recompenso proporcionalmente. Todos seguem o Meu caminho sob todos os aspectos, Ó filho de Prtha”. Assim, o Senhor aparece como a morte para o ateísta e como o salvador amoroso para o Seu devoto; uma vez que está acima de qualquer idéia de afinidade material.

Para vingar a morte de seu irmão, o poderoso daitya Hiranyakasipu prometeu satisfazer a alma de seu irmão derramando o sangue de Visnu. Para obter o poder e imortalidade que precisava, executou penitências humanamente impossíveis, através das quais obteve favores do senhor Brahma, o criador do universo. Hiranyakasipu pensou que poderia se tornar Deus através de suas austeridades e penitências pessoais. Ele tolamente concluiu que, uma vez que o Senhor Visnu estava favorecendo os semideuses, Ele também era uma alma condicionada comum (influenciada por atração e rejeição) que havia se tornado Deus através de austeridades. Essa mentalidade é própria dos filósofos Mayavadis, que dizem que cada alma é Deus iludido por maya e, uma vez que a ilusão seja dissipada, a alma novamente realiza sua identidade como Deus. Essa teoria, todavia, é inaceitável quando consideramos a supremacia do Senhor Krsna, a Suprema Personalidade de Deus, como Ele estabelece no Bhagavad-gita (9.10):

mayadhyakshena prakritih
suyate sa-caracaram
hetunanena kaunteya
jagad viparivartate

“Esta natureza material, que é uma de Minhas energias, funciona sob Minha direção, ó filho de Kunti, produzindo todos os seres, móveis e inertes. Sob sua ordem, esta manifestação é criada e aniquilada repetidas vezes”. A energia material, maya, é uma das diversas potências do Senhor Supremo. Sendo maya completamente submissa ao Senhor, não há nenhuma possibilidade do Senhor Supremo e Absoluto ser controlado por sua influência. As entidades vivas, todavia, uma vez que são partes diminutas do Senhor, podem ser iludidas. A teoria Mayavada, de que após a liberação a alma se funde em Deus, é refutada no Bhagavad-gita (15.7, 2.12), onde Krsna declara que todas as almas jivas são Suas partes eternas, sendo sempre individuais.

Os Mayavadis também declaram que a concepção mais elevada de Deus é a do impessoal e todo penetrante nirguna brahman (a Verdade Absoluta destituída de qualidade, atributos e forma), que aceita um corpo material, como o nosso, sempre que vem a este mundo. Assim, para os Mayavadis, o Senhor Visnu ou Krsna são saguna-brahman (Brahman com atributos e formas) que, para eles, quer dizer que estão iludidos pela energia material, uma vez que não podem entender a transcendência com forma e qualidades.

Frustrados devido ao sofrimento causado pelo corpo material, os filósofos impersonalistas concebem a transcendência, ou liberação, como destituídas de qualidades e atributos. O Senhor comenta sobre essa noção:

avyaktam vyaktim apannah
manyante mam abuddhayah
param bhavam ajananto
mamavyayam anuttamam

“Homens sem inteligência, que não Me conhecem perfeitamente, pensam que Eu, a Suprema Personalidade de Deus, Krsna, antes teria sido impessoal e que agora assumi esta personalidade. Devido a seu conhecimento limitado, eles não conhecem Minha natureza superior, que é imperecível e suprema” (Bhagavad-gita 7.24). Aprendemos, portanto, através do Bhagavad-gita, que o Senhor Krsna nunca fez nenhuma austeridade ou penitência para se tornar Deus. Ele é eternamente a Suprema Verdade Absoluta, e as almas individuais são Suas eternas partes fragmentárias.

Nrsimhadeva mata Hiranyakasipu
Assim como os Mayavadis mantêm a falsa teoria de que uma alma pode se tornar Deus através de um pouco de penitências, Hiranyakasipu considerava que poderia se tornar invencível e vencer o Senhor Visnu com seus poderes. Mas Prahlada desafiava seu poder.

O arrogante Hiranyakasipu rogou-lhe pragas e inquiriu: “De onde você tira forças para desafiar minha supremacia?”.

“O Senhor Visnu é a fonte de minhas forças”, respondeu o destemido Prahlada. “Ele é a origem da força de todos, inclusive da sua”.

Ouvir que sua força era produto da graça de Visnu, seu pior inimigo, foi o pior dos insultos para Hiranyakasipu, que desafiou Prahlada: “Maldito Prahlada, você está sempre falando sobre um supremo controlador onipresente superior a mim. Se ele está em todo o lugar, por que, então, Ele não está presente diante de mim neste pilar? Se ele não aparecer deste pilar, separarei, hoje, sua cabeça de seu corpo com minha espada”.

Com essas palavras, Hiranyakasipu golpeou o pilar, do qual ouviu-se um som tão alto que parecia que a cobertura do universo seria destruída. [Veja a seção extra ao fim “Como Prahlada Sabia que o Senhor Nrsimha Iria Protegê-lo”].

Para comprovar a afirmação de Seu devoto Prahlada, o Senhor Supremo apareceu do pilar em uma forma jamais vista, uma forma que não era nem homem, nem leão: a forma de Sri Nrsimhadeva.

Embora Hiranyakasipu parecesse uma mariposa entrando no fogo quando foi atacar o Senhor Nrsimha, ele ridiculamente pensou que poderia derrotar o Senhor como fizera anteriormente com seus demais inimigos. Anteriormente, quando seu irmão fora morto, Hiranyakasipu, irado, se dirigiu para a residência do Senhor com um tridente em mãos. O Senhor então desapareceu entrando na narina de Hiranyakasipu. Não conseguindo achá-lO, Hiranyakasipu considerou que Deus estava morto.

Agora, Hiranyakasipu confrontava o Senhor, que brincou com ele da mesma forma que um gato brinca com um rato. Quando o sol começou a se pôr, o Senhor Nrsimha colocou Hiranyakasipu em Seu colo e enterrou Suas garras no torso do demônio.

O daitya exclamou: “Como isso é possível? Meu corpo que está sendo rasgado agora por Nrsimhadeva é o mesmo corpo que quebrou as presas de Airavata, o elefante de Indra; é o mesmo corpo que não sofreu nenhum ferimento, mesmo após ter sido golpeado pelo machado do senhor Shiva”. (Nrsimha Purana 44.30)

Nrsimhadeva rasgou o peito pétreo de Hiranyakasipu com Suas garras semelhantes a diamantes. O Senhor, então, enguirlando-se com os intestinos do rei como se fosse Sua guirlanda da vitória, e, para convencer os semideuses da morte de Hiranyakasipu, o Senhor arrancou o coração do daitya.

Como outro aspecto de Sua peça divina, o Senhor de repente se surpreendeu ao ver que o corpo de Hiranyakasipu havia desaparecido. Quando balançou Suas mãos, todavia, os pedaços mutilados do corpo de Hiranyakasipu caíram de Suas unhas no chão (Nrsimha Purana 44.32-35). Assim, entendemos que Hiranyakasipu era apenas um insignificante inseto se comparado com o leão transcendental, o Senhor Nrsimhadeva, como confirma Jayadeva Gosvami:

tava kara-kamala-vare nakham adbhuta-shringam
dalita-hiranyakashipu-tanu-bhringam
keshava dhrita-narahari-rupa jaya jagadisha hare

“Ó Keshava! Ó Senhor do universo! Ó Senhor Hari, que assumiu a forma metade homem, metade leão! Todas as glórias a Ti! Assim como se pode facilmente esmagar uma vespa entre as unhas, o corpo de Hiranyakasipu, um demônio parecido com uma vespa, foi dilacerado pelas afiadas unhas de Tuas belas mãos de lótus”.

O Senhor Nrsimhadeva derrotou Hiranyakasipu sem contrariar nenhuma das bênçãos concedidas pelo senhor Brahma, que abençoara Hiranyakasipu para que não fosse morto:

dentro ou fora de qualquer residência (o Senhor o matou no portal de entrada)
nem durante o dia nem durante a noite (o Senhor o matou no crepúsculo)
nem no céu nem na terra (o Senhor o matou em Seu colo)
nem por homem nem por animal (o Senhor Nrsimha é meio homem, meio leão)
nem por nenhum semideus, demônio ou serpente divina (o Senhor está acima de todas essas categorias)
nem por qualquer arma ou entidade, corporificada ou não-corporificada (O Senhor Nrsimha perfurou o daitya com Suas garras, que não são consideradas armas, e o Senhor é transcendental ao processo de corporificação e descorporificação).

Por fim, Hiranyakasipu não poderia ser morto por nenhuma entidade viva, criada ou não criada por Brahma. Hiranyakasipu teve o cuidado de garantir que também não seria morto pelo senhor Brahma, pelo senhor Shiva ou pelo Senhor Visnu, as três deidades que presidem o universo (as três únicas personalidades que não foram criadas por Brahma). O Senhor Nrsimha é um lila-avatara, ou encarnação de passatempo do Senhor Krsna, e não está na categoria que inclui Brahma, Shiva e Visnu, que são guna-avataras­, deidades com o encargo dos três modos da natureza material.

Hiranyakasipu, o ditador do universo, desejou inverter o sistema piedoso criado por Krsna. Ele queria que os impiedosos fossem recompensados e os piedosos, punidos. Assim, com a morte de Hiranyakasipu, todos os semideuses e habitantes de diversos planetas piedosos ofereceram orações ao Senhor Nrsimha, expressando gratidão por o Senhor ter matado o daitya, que havia roubado suas esposas, riquezas e a parte das oferendas sacrificiais que lhes cabia. Apenas Prahlada Maharaja, todavia, pôde acalmar, com suas orações devocionais, a ira transcendental do Senhor Nrsimha, que está disposto a aparecer sob qualquer forma e em qualquer lugar para proteger Seus devotos puros.

O Senhor Nrsimha ficou extasiado ao ver a fé inabalável de Prahlada Maharaja, e pediu repetidas vezes para que ele Lhe pedisse alguma benção. Mas Prahlada, como o mais compassivo de todos os devotos, se interessa muito mais pelo bem dos outros do que com o seu próprio; assim, seu único pedido foi que o Senhor salvasse seu pai demoníaco. Satisfeito, o Senhor Supremo garantiu liberação para vinte e uma gerações de parentes da dinastia de Prahlada Maharaja.

(extra)

Por que Prahlada se torna filho de Hiranyakasipu
Certa vez, o poderoso Hiranyakasipu subiu até o pico do monte Kailasa, a residência do senhor Siva, e começou a praticar severas austeridades. O senhor Brahma, o administrador do universo, sabendo que Hiranyakasipu aterrorizaria todo o universo com os poderes adquiridos através de suas austeridades, começou a meditar em como deter o daitya. O sábio Narada garantiu a seu temeroso pai, Brahma, que iria distrair Hiranyakasipu de seu transe ascético.

Narada e seu amigo Parvata Muni assumiram, então, a forma de dois pássaros e voaram para o local onde Hiranyakasipu estava em profunda meditação. Lá, eles recitaram três vezes o mantra om namo narayanaya. Ao ouvir o nome de seu inimigo Narayana, ou Visnu, Hiranyakasipu atirou uma flecha para matar os pássaros, mas os sábios voaram para longe.

Tendo já perdido a concentração em suas penitências, Hiranyakasipu se recolheu ao seu palácio, onde desfrutou da noite junto de sua rainha Kayadhu. Kayadhu perguntou a seu esposo por que ele havia abandonado sua determinação em executar penitências por dez mil anos. Ele contou para ela sobre os pássaros que lhe perturbaram cantando em voz alta o nome de Narayana. O daitya estava desfrutando de forma íntima a companhia de sua esposa, e seu sêmen foi liberado em seu interior no exato momento em que contou para ela sobre o mantra om namo narayanaya. Assim, o santo nome do Senhor foi recitado no momento da concepção de Sri Prahlada Maharaja.

— do Nrsimha Purana 41.7–34

Como Prahlada Sabia que o Senhor Nrsimha Iria Protegê-lo
Como uma das últimas tentativas de matar Prahlada, Hiranyakasipu ordenou a seus soldados amararem Prahlada com nagapasha (corda de cobra) durante o começo da madrugada, jogá-lo no mar, e rolarem diversos pedregulhos gigantes para que o esmagassem no fundo do oceano. Quando Prahlada foi atirado no oceano, todavia, as ondas levaram o garoto para a costa, onde o transportador pessoal do Senhor Visnu, a gloriosa ave Garuda, aguardava Prahlada para libertá-lo das cobras que lhe prendiam. Então, Varuna, o senhor do mar, despertou Prahlada oferecendo-lhe seus respeitos.

Ao reaver seus sentidos, Prahlada orou a Varuna: “Ó senhor do oceano, és muito afortunado, pois sempre vês o Senhor Visnu, que repousa em uma cama de serpente sobre tuas águas. Por favor, instrui-me a como vê-lO pessoalmente, bem diante de meus olhos”.

Varuna respondeu: “Querido Prahlada, ó melhor dos yogis, simplesmente ora a Ele em meditação profunda, e o Senhor, que é o benquerente de Seus devotos, certamente aparecerá diante de ti”.

Tendo respondido, Varuna desapareceu entre as águas.

Sentindo-se desqualificado para alcançar o Supremo Senhor Visnu, Prahlada chorou na praia com seu coração repleto de pesar, até que desmaiou.

Então, o Senhor Visnu apareceu ali e levantou Prahlada, colocando-o em Seu colo. Despertado pelas afáveis mãos do Senhor, Prahlada estava com medo, surpreso e satisfeito por ver o Senhor, e novamente desmaiou em profundo êxtase. O Senhor abraçou Prahlada, e quando Prahlada recobrou sua consciência, ofereceu reverência no chão para o Senhor, mas não conseguiu oferecer-Lhe orações.

O Senhor o levantou do chão e disse: “Querido filho, abandone esse medo de Minha grandeza, pois não Me há ninguém mais querido do que você. Por favor, peça-Me qualquer coisa que deseje do fundo de seu coração”.

Prahlada respondeu: “Meu Senhor, tudo o que desejo é contemplar o néctar de Sua forma divina, que é raramente vista mesmo pelos mais grandiosos semideuses”.

Quando o Senhor insistiu que Prahlada Lhe pedisse uma benção, o grande santo pediu unicamente devoção imaculada e exclusiva por Ele.

Após abençoar Prahlada dizendo que teria tudo o que desejasse e desfrutaria de todos os prazeres, o Senhor disse: “Não fique ansioso por Meu desaparecimento, pois Eu nunca deixo o seu coração. Muito em breve você Me verá novamente, quando, para matar Hiranyakasipu, Eu aparecerei na forma de Nrsimha – querida pelos santos e mortal para os ateístas”.

— do Nrsimha Purana 43.28–85

O Dia do Aparecimento Transcendental de Nrsimhadeva
Um dos capítulos do Padma Purana, o Uttara Khanda, descreve as glórias do Sri Nrsimha Caturdashi, o dia do aparecimento transcendental do Senhor Nrsimha. Nesse capítulo, o senhor Siva narra a seguinte história pra sua esposa Parvati:

Depois que o Senhor Nrsimha derrotara Hiranyakasipu, Prahlada ofereceu-Lhe orações com profunda devoção e, então, perguntou ao Senhor: “Como pude eu, meu Senhor, obter a raríssima posição do serviço devocional puro à Suprema Personalidade de Deus?”.

O Senhor Nrsimhadeva respondeu: “Prahlada, em sua vida anterior você foi um indigno filho de um brahmana. Rejeitando as escrituras Védicas, você era extremamente apegado a diversas atividades pecaminosas. Simplesmente por observar completo jejum – de alimentos e de água – no auspicioso dia de Meu aparecimento, o Sri Nrsimha Caturdashi, você obteve o serviço devocional puro por Mim. E todo aquele que observa esse jejum, Eu lhe garanto eterna bem-aventurança, desfrute e liberação”.

O Senhor Nrsimha é uma forma eterna do Senhor que aparece em diversos universos em diferentes momentos para executar Seus passatempos divinos. Seu Nrsimha Caturdashi, o décimo quarto dia lunar da lua crescente do mês de Madhusudana, é, portanto, eternamente um dia sagrado, no qual Seus devotos jejuam a fim de glorificarem o aparecimento transcendental do Senhor.

Tradução por Bhagavan dasa (DvS)


108 Nomes do Senhor Nrsimhadeva

1. Om narasimhaya namah - Reverências ao Senhor meio-homem meio-leão;
2. Om mahasimhaya namah - Reverências ao grandioso leão;
3. Om diyva-simhaya namah - Reverências ao leão divino;
4. Om mahabalaya namah - Reverências àquele que é imensamente poderoso;
5. Om ugra-simhaya namah - Reverências ao terrífico leão;
6. Om mahadevaya namah - Reverências ao Senhor dos senhores;
7. Om stambha-ja-aya namah - Reverências àquele que apareceu do pilar;
8. Om ugra-locanaya namah - Reverências àquele de olhos coléricos;
9. Om raudraya namah - Reverências à ira personificada;
10. Om sarvadbhutaya namah - Reverências àquele que é maravilhoso em todos os sentidos;
11. Om srimanaya namah - Reverências ao mais belo;
12. Om yoganandaya namah - Reverências à origem da bem-aventurança ióguica;
13. Om trivikramaya namah - Reverências àquele que deu três passos gigantescos [como Vamana];
14. Om harine namah - Reverências àquele que leva nossos problemas embora;
15. Om kolahalaya namah - Reverências àquele que ruge ruidosamente [referência também a Varaha];
16. Om cakrine namah - Reverências àquele que porta o disco [sudarsana];
17. Om vijayaya namah - Reverências àquele que é sempre vitorioso;
18. Om jaya-vardhanaya namah - Reverências a Ele cujas glórias são sempre crescentes;
19. Om panchananaya namah - Reverências àquele que possui cinco cabeças;
20. Om param-brahma-aya namah - Reverências à Suprema Verdade Absoluta;
21. Om aghoraya namah - Reverências àquele que não é horripilante aos Seus devotos;
22. Om ghora-vikramaya namah - Reverências a Ele cujas atividades são horrendas;
23. Om jvalan-mukhaya namah - Reverências àquele cuja face é refulgente;
24. Om jvala-maline namah - Reverências àquele que traja uma refulgente guirlanda de fogo;
25. Om mahajvalaya namah - Reverências ao mais refulgente;
26. Om maha-prabhuhaya namah – Reverências ao Mestre Supremo;
27. Om niti-laksaya namah - Reverências a Ele que possui todas as boas qualidades morais;
28. Om sahasraksaya namah - Reverências àquele que possui mil olhos;
29. Om durniriksyaya namah - Reverências àquele para o qual é difícil olhar;
30. Om pratapanaya namah - Reverências àquele que oprimi Seus inimigos com grande poder;
31. Om mahadamstraya namah - Reverências àquele que possuir grandes dentes;
32. Om yudha-prajnaya namah - Reverências àquele cuja inteligência bélica é incomparável;
33. Om canda-kopine namah - Reverências a Ele que é comparado a uma lua irada;
34. Om sada-sivaya namah – Reverências ao Senhor todo-auspicioso;
35. Om hiranyakasipu-dhvamsine namah – Reverências a Ele que extermina Hiranyakasipu;
36. Om daitya-danava-bhanjanaya namah - Reverências a Ele que extermina inúmeras raças de demônios e gigantes;
37. Om guna-bhadraya namah – Reverências a Ele que é pleno de qualidades maravilhosas;
38. Om mahabhadraya namah - Reverências ao supremamente auspicioso;
39. Om bala-bhadraya namah - Reverências a Ele que é auspiciosamente poderoso;
40. Om subhadrakaya namah - Reverências ao extremamente auspicioso;
41. Om karalaya namah – Reverências àquele cuja boca se abre amplamente; 42. Om vikaralaya namah – Reverências àquele de boca enorme;
43. Om vikartaya namah – Reverências ao Senhor que executa atividades maravilhosas;
44. Om sarva-kartrikaya namah – Reverências ao Senhor que executa todas as atividades;
45. Om sisumaraya namah – Reverências a Ele que também aparece como Matsya;
46. Om trilokatmaya namah - Reverências à alma dos três mundos;
47. Om isaya namah – Reverências ao controlador;
48. Om sarvesvaraya namah - Reverências ao controlador supremo;
49. Om vibhuaya namah – Reverências àquele que é o melhor em tudo;
50. Om bhaivaradambaraya namah – Reverências àquele que aterroriza rugindo no céu;
51. Om divyaya namah – Reverências àquele de personalidade divina;
52. Om acyutaya namah – Reverências ao Senhor que nunca falha com Seus devotos;
53. Om kavine namah - Reverências àquele de inteligência poética;
54. Om madhavaya namah - Reverências ao esposo de Srimati Laksmidevi;
55. Om adhoksajaya namah - Reverências àquele que está além de toda compreensão ou explicação;
56. Om aksaraya namah - Reverências ao infalível;
57. Om sarvaya namah – Reverências a Ele que é a origem de tudo;
58. Om vanamaline namah – Reverências àquele que usa guirlandas de flores silvestres (ou aquele que é adornado por Seus amáveis devotos);
59. Om varapradaya namah – Reverências ao Misericordioso Senhor que concede benção aos dignos, como Prahlada;
60. Om visvambaraya namah - Reverências ao mantenedor do universo;
61. Om adbhutaya namah – Reverências a Ele que é extremamente maravilhoso;
62. Om bhavyaya namah – Reverências ao determinador do futuro (aquele que é o futuro para Seus devotos);
63. Om sri-visnave namah – Reverências a Ele que é onipresente;
64. Om purusottamaya namah - Reverências ao Desfrutador Supremo;
65. Om anaghastra namah – Reverências a Ele que não é ferido por arma alguma;
66. Om nakhastraya namah – Reverências àquele cujas unhas afiadas são usadas como armas;
67. Om surya-jyotine namah - Reverências a Ele que é a origem dos raios solares;
68. Om suresvaraya namah – Reverências ao Senhor dos devatas;
69. Om sahasra-bahu-aya namah – Reverências ao Senhor de mil braços;
70. Om sarva-jnaya namah – Reverências àquele que tudo sabe;
71. Om sarva-siddhi-pradayakaya namah – Reverência a Ele que concede todas as perfeições aos devotos;
72. Om vajra-damstraya namah – Reverências àquele cujos dentes são como raios;
73. Om vajra-nakhaya namah - Reverências àquele cujas unhas são como raios;
74. Om mahanandaya namah – Reverências à origem da bem-aventurança suprema;
75. Om param-tapaya namah - Reverências à origem de toda austeridade e energia espiritual (também calor);
76. Om sarva-mantraika-rupa namah – Reverências àquele que, embora um, aparece como vários mantras;
77. Om sarva-yantra-vidaramaya namah – Reverências àquele que destrói todas as maquinas (planos, arranjos e veículos para fins demoníacos);
78. Om sarva-tantratmakaya namah – Reverência ao proprietário e essência de todos os ritos (pujas, etc.);
79. Om avyaktaya namah – Reverências ao Senhor que parece imanifesto;
80. Om suvyaktaya namah – Reverências àquele que, quando Seus devotos necessitam, aparece maravilhosamente do pilar;
81. Om bhakta-vatsala namah – Reverências ao Senhor cujo coração sempre carrega a felicidade de Seus devotos;
82. Om vaisakha-sukla-bhototthaya namah – Reverência àquele que apareceu durante a lua crescente do mês de Visakha (abril/maio);
83. Om saranagata-vatsalaya namah – Reverências àquele que é muito gentil com aqueles que Lhe são rendidos (como a leoa com seus filhotes);
84. Om udara-kirtine namah – Reverências àquele que é universalmente famoso;
85. Om punyatmaya namah – Reverências a Ele que é a essência da piedade; 86. Om mahatmaya namah – Reverências à grande personalidade Nrsimhadeva;
87. Om candra-vikramaya namah – Reverência a Ele cujos feitos eclipsam os feitos de todos os demais;
88. Om vedatrayaya namah – Reverências ao Senhor dos três Vedas originais (Rg, Yajur e Sama);
89. Om prapujyaya namah – Reverências a Ele que é completamente adorável;
90. Om bhagavanaya namah – Reverências à Suprema Personalidade de Deus;
91. Om paramesvaraya namah – Reverências ao controlador supremo;
92. Om srivatsamkaya namah – Reverências àquele que é marcado com o símbolo de Laksmi, tal qual Krsna;
93. Om jagat-vyapine namah – Reverências a Ele que penetra todo o universo;
94. Om jagan-mayaya namah – Reverências ao Místico Supremo que faz com que o mundo material pareça real;
95. Om jagat-palaya namah – Reverências ao protetor do universo;
96. Om jagannathaya namah – Reverências ao Senhor do universo;
97. Om mahakhagaya namah – Reverências àquele que se move com o ar (que está em toda a parte);
98. Om dvi-rupa-bhrtaya namah – Reverências a Ele que é a combinação de duas formas (homem e leão);
99. Om paramatmaya namah – Reverências a Ele que é Superalma de todos os seres;
100. Om param-jyotine namah - Reverências a Ele cuja refulgência é o Brahman;
101. Om nirgunaya namah – Reverências àquele cujas qualidades não derivam dos gunas, mas são transcendentais;
102. Om nrkesarine namah – Reverências àquele de grande juba;
103. Om para-tattvaya namah – Reverências à Suprema Verdade Absoluta;
104. Om param-dhamaya namah – Reverências a Ele que vem da Morada Suprema;
105. Om sac-cid-ananda-vigrahaya namah – Reverências àquele cuja forma é feita de conhecimento e bem-aventurança eternos;
106. Om laksmi-nrsimhaya namah – Reverências ao casal Nrsimhadeva e suprema deusa da fortuna Srimati Laksmidevi;
107. Om sarvatmaya namah – Reverências à alma universal original;
108. Om dhiraya namah – Reverências ao Senhor que está sempre sóbrio (que nunca se confunde).

Tradução por Bhagavan dasa (DvS) a pedido de Bn Ílziris Miranda (DvS)