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O sub-continente indiano
é o cenário para um leque de tradições religiosas, a maioria tendo
suas origens em épocas muito remotas. O Vaishnavismo, em particular,
não tem um registro de início. Os textos sagrados, muitos deles
compilados em datas que remontam à era védica de cinco mil anos
atrás, já oferecem o delineamento da doutrina, que antes era
praticada e transmitida em via oral. Já na era cristã, o
Vaishnavismo institucionalizou-se e associou-se ao sistema Vedanta
de filosofia. Surgiram grandes filósofos teístas, como Ramanuja,
Madhva, Nimbarka e Vishnuswami e foi, assim, formatado em quatro
linhas principais, chamadas sampradayas. O sistema de filosofia
Vedanta tem duas linhas: uma estritamente filosófica e outra teísta.
O Vaishnavismo, obviamente, é a linha teísta. O “movimento Hare
Krishna” é filiado à linha Vaishnava chamada Brahma-Madhva-sampradaya.
O “movimento Hare Krishna” teve seu início há quinhentos anos,
exatamente na virada do século, na época dos descobrimentos. O
responsável por sua difusão foi o santo Sri Caitanya (lê-se
Cheitânya) Mahaprabhu. Sua vida foi ampamente registrada em
biografias, algumas delas contemporâneas a ele. Caitanya, que foi um
acadêmico e intelectual sem rival em sua juventude, teve uma
reviravolta radical em sua vida, passando a manifestar uma natureza
mística sem precedentes, certamente, na história da humanidade. Mais
da metade dos quarenta e oito anos de sua existência foram passados,
na maior parte do tempo, num êxtase místico de amor a Deus. A
mensagem de Caitanya resume-se basicamente na realização de que o
método mais eficaz para restabelecermos nossa conexão com Deus é
através do canto e meditação de Seus santos nomes. Os santos nomes
do Senhor, diz Caitanya, possuem energias espirituais que vão atuar
na consciência, tornando-a cada vez mais espiritualizada. Com a
prática, obtém-se purificação, auto-conhecimento, desapego, renúncia,
santidade, paz interior e amor puro por Deus. Embora todos os nomes
referentes a Deus têm esse poder, Caitanya recomendava o canto e a
meditação no maha-mantra Hare Krishna (explicaremos mais a frente).
Seu movimento teve um grande impacto social pois desestruturava um
rígido sistema de castas que prevalecia no país naquela época. Ele
atingiu tanto as camadas populares quanto a classe intelectual, e
até, membros da realeza. Começou na região da Bengala (leste da
Índia, cuja capital é Calcutá) e, a seguir, espalhou-se pelo estado
vizinho, Orissa. Na seqüência, permeou o país. Caitanya, inclusive,
profetizou que esse canto espalhar-se-ia pelo planeta, o que , mais
ou menos, podemos, hoje em dia, presenciar.
Em 1965, um sannyasi (renunciado) da linha de Caitanya, A. C.
Bhaktivedanta Swami Prabhupada, trouxe esse conhecimento para o
Ocidente. Aos setenta anos de idade, sem recursos e qualquer apoio
institucional, Swami Prabhupada desembarcou em Boston, nos Estados
Unidos. Logo a seguir, radicou-se em Nova York e, por arranjo do
destino, seu público foi, quase que exclusivamente, o mundo hippie,
que naquela época, estava em seu auge. Sua mensagem era estritamente
ortodoxa e apresentava valores praticamente diametrais aos
cultivados pelos hippies. Mas, mesmo assim, surpreendentemente, sua
mensagem teve um tremendo eco, certamente devido à genuína postura
espiritual de Prabhupada. Em 1966, ele fundou a Sociedade
Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON). De Nova York
estabeleceu-se uma ramificação no oeste, em São Francisco; depois
Montreal e Londres. De lá, à medida em que seus discípulos
espalhavam centros nos diversos continentes, Prabhupada voltou à sua
terra natal e estabeleceu alguns importantes centros de adoração a
Deus. |
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