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A Tradição Vaishnava é
caracterizada pelo uso de imagens, também chamadas murtis ou
deidades, para a adoração, seja no templo ou privadamente. Essas
formas de diferentes aspectos da Divindade, como Krishna, Rama,
Vishnu, Nrsimha, etc., são detalhadamente descritos nas Escrituras.
Adorar a Deus através de imagens é, muitas vezes tido como idolatria.
Contudo a diferença entre a idolatria e a adoração das deidades é
que, no primeiro caso, concebe-se uma forma e ritual para se adorar
a um Deus imaginário, enquanto que no segundo caso, segue-se
estritamente o procedimento estabelecido nas Escrituras para esse
fim, procedimentos esses incrivelmente elaborados, exigindo muitos
cuidados e um especial estado de consciência para lidar com os
objetos de adoração.
A idéia subjacente dessa forma de adoração é que Deus está presente
naquela forma particular. Ele é Onipresente. Estando presente em
todo lugar, Ele, certamente, está presente na deidade,
principalmente, sendo considerado o fato de que essa imagem está
sendo cuidada e venerada com consciência espiritual. Deus é
invisível a nossos olhos, mas, por Sua misericórdia, torna-se
acessível para aceitar nossa adoração dentro deste mundo. Devido ao
ritual regulado e constante e a atitude devocional, tanto dos
sacerdotes quanto dos devotos em geral, a deidade torna-se um foco
de energia espiritual poderosíssima, bálsamo capaz de aliviar nossos
sofrimentos.
Num templo Hare Krishna, a primeira cerimônia começa bem cedo, às
quatro e trinta da madrugada. A idéia é que, ao acordar, toma-se
logo um banho e, imediatamente, como sendo a primeira coisa de cada
dia do devoto, ele recepciona o Senhor no templo. Essa cerimônia,
que irá também acontecer em certas horas ao longo do dia, chama-se
arati. Oferece-se, no altar, preparações comestíveis especificamente
elaboradas para as diferentes horas do dia, e, também, outros
artigos como incenso, flores com perfume, lamparina e outros. Cada
arati tem seu canto específico e devem acontecer em horários
estritamente estabelecidos.
O ritual é uma maneira formal e externa de oferecer nossa devoção a
Deus. Ele não é um fim em si, mas um instrumento a nosso dispor para
elevarmos nossa consciência material, normalmente aferrada nas
atividades mundanas do dia-a-dia, à consciência de Deus. A idéia da
oferenda é que o devoto aproxima-se de Deus não somente para pedir e
pedir, mas para oferecer seu amor. Deus não precisa de nada, mas
temos que demonstrar nosso amor a Ele, aproximando-se dEle com uma
atitude adequada. Quando o amor a Deus já é parte da natureza do
devoto, o ritual é, inclusive, dispensável. Sua vida, na totalidade,
já é um oferecimento de amor a Deus.
Existe, também, o ritual de iniciação que é a formalização da
conexão do devoto com a linha de conhecimento, que descende de
mestre em mestre até tempos imemoriais. O devoto faz votos (explicaremos
adiante) e torna-se um representante da Tradição. Nessa ocasião é
feita uma cerimônia chamada agni-hotra, sacrifício de fogo, que visa
a purificação e espiritualização. |
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