|
|
::
Artigo originalmente publicado na revista Volta ao
Supremo [Back to Godhead] – Fundada por Srila Prabhupada
no ano de 1944
Definindo
o Divino, Oriente e Ocidente
- por Satyaraja Dasa
“A Bhagavad-gita
ensina uma visão panteísta de Deus”,
ele disse, com sua confiança e anos de estudo
claramente expressos em seu tom autoritário.
“A massiva visvarupa – a forma universal de Krsna,
que abrange todo o fenômeno material, inclusive
o tempo, diz-nos muito sobre Deus na Gita”.
Seu amigo, outro acadêmico de certo renome,
pareceu discordar.
“A Gita vai além do panteísmo. Ela nos
demonstra como perceber Deus em todas as coisas. O
Décimo Capítulo, especialmente, mostra-nos
como Krsna é o exemplar superlativo em setenta
categorias, como Ele existe no mundo perceptível”.
Um terceiro colega também apresentou sua ponderada
opinião: “A Gita, em última instância,
ensina bhakti, devoção a Krsna, a Deidade
pessoal suprema. Neste sentido, a Gita não
é diferente das grandes tradições
monoteístas do ocidente. Eu acho que vocês
ambos desconsideraram esse ponto”.
Eu assistia a uma mesa redonda de uma conferência
da American Academy of Religion, e, ouvindo a eles,
notei que todos os três acadêmicos estavam
corretos, cada um a sua maneira. Eu considerei profundamente
suas perspectivas individuais e realizei algo: O Gita
tem tudo isso!
No ocidente, os teólogos tendem a falar de
Deus de três maneiras, usando os termos panteísmo,
panenteísmo e monoteísmo, com uma pequena
variação entre eles. Em outras palavras,
os teólogos ocidentais falam de Deus (1) como
impessoal, difundido por tudo o que vemos e além,
ou como a natureza em si, (2) como existindo tanto
dentro quanto fora de tudo, ou (3) como o Ser Supremo,
onipotente, onisciente e todo o resto.
Aqueles familiarizados com o Bhagavad-gita Como Ele
É, de Srila Prabhupada, irão imediatamente
reconhecer a correlação entres esses
conceitos de Deus e Brahman, Paramatma e Bhagavan,
os três níveis do Supremo expressos mais
sucintamente no Srimad-Bhagavatam (1.2.11): “Transcendentalistas
versados, que conhecem a Verdade Absoluta, chamam
essa substância não-dual de Brahman,
Paramatma e Bhagavan”.
Panteísmo e Brahman
Panteísmo é entendido de diversas maneiras
relativas. Primeiramente, o panteísmo iguala
Deus com a natureza, dizendo que Ele existe como tudo
e que tudo é Deus. Em grego, pân = tudo,
e theos = Deus. De acordo com essa visão, o
universo, incluindo toda matéria e energia,
é uma entidade metafísica que é
mais do que percebemos. O “Deus” panteístico
– tanto impessoal quanto não-teísta
(se considerarmos o sentido usual de teísmo)
– é inteiramente imanente, se tivermos olhos
para ver.
A doutrina do panteísmo vai frequentemente
mais a fundo, expondo “uma crença de que toda
entidade existente é apenas um ser, e que todas
as outras formas de realidade são ou modos
(ou aparências) desse ser ou idênticos
a ele”.1 1 H. P. Owen. 1971. Concepts of Deity (London:
Macmillan).
Trata-se claramente de uma articulação
ocidental de Deus como o Brahman. Os Vedas descrevem
o Brahman como uma divindade transcendental impessoal.
O Rg Veda, em particular, diz-nos em uma oração
conhecida como o Purusa-sukta (10.90.4) que o Brahman,
aqui em uma forma mais personalizada, expandiu uma
porção de Si como o mundo criado, onde
Ele existe, sem personalidade ou forma, como a essência
de tal mundo. Essa talvez seja a mais antiga referência
ao panteísmo – mesmo não usando o termo
– de toda a literatura religiosa, do oriente ou do
ocidente.
No Gita, pode-se encontrar insinuações
ao panteísmo (especialmente a unidade de Deus
com o universo) no Capítulo Sete, onde Krsna
Se identifica com vários fenômenos materiais:
Ele é o sabor na água, a luz no sol
e na lua, o som no éter, a habilidade no homem
e assim por diante. Uma visão mais acurada,
todavia, revela que essas são manifestações
de Sua energia, e que Ele se mantém, de alguma
forma, a parte delas. Ainda, Ele diz ser, em certo
sentido, tudo aquilo que existe (vasudevah sarvam
iti), e o Nono Capítulo do Gita tende a confirmar
esse fato. (Vide versos 4, 5, 6, 16-18).
O Senhor elucida Sua natureza todo-penetrante novamente
no Capítulo Dez, identificando-Se como o melhor
de tudo: Ele é Siva, o oceano, o leão,
Garuda, o Himalaia, a letra A, o tempo inexaurível,
Brahma, a verdade em si, a vitória, a aventura
e assim por diante. Mas, mais uma vez claramente,
isso não é tudo o que Krsna é,
e, descrevendo-Se como acima, e muito mais, Ele diz
tudo isso ser “mero indício” de Sua glória
(esa tuddestah proktah, 10.40) e apenas uma centelha
de Seu esplendor (mama tejo ‘msha-sambhavam, 10.41).
Uma visão panteísta aparece, de certa
forma, mais evidente no Décimo Primeiro Capítulo
do Gita, onde o Senhor revela Sua Forma Universal
(visvarupa). Detalhes dessa forma são apresentados
no Srimad-Bhagavatam, Segundo Canto, particularmente
nos capítulo um e seis. Ali, aprendemos que
“a gigantesca manifestação do mundo
material fenomenal como um todo é o corpo pessoal
da Verdade Absoluta...” (2.1.24); e que, “a esfera
do espaço exterior constitui os orifícios
de Seus olhos, e o globo ocular é o sol como
o poder da visão. Suas pálpebras são
tanto o dia quanto a noite, e nos movimentos de Suas
sobrancelhas, o Senhor Brahma e personalidades similares
residem” (2.1.31). Neste sentido, o Bhagavatam se
desenvolve de forma a conceder uma elaborada meditação
no Absoluto, permitindo os praticantes a virtualmente
“verem”-nO no mundo material.
Todavia, o Bhagavatam (1.3.30) é claro: “A
concepção da forma universal virat do
Senhor, como aparecendo no mundo material, é
imaginária. Tem por fim permitir que os menos
inteligentes [e neófitos] se adéqüem
à idéia do Senhor ter uma forma. Mas,
de fato, o Senhor não tem forma material”.
Assim, a manifestação universal do Supremo
se destina a levar os praticantes da compreensão
impessoal do Absoluto para uma concepção
mais avançada e pessoal do Senhor, e para ajudá-los
a realizarem que, embora Ele não tenha forma
material, Ele definitivamente tem uma forma espiritual.
Porque essa visão universal do Senhor iguala
Deus com o mundo fenomenal – ou seja, como sendo integralmente
amalgamado com a natureza invisível, e inseparável
dela – trata-se de uma forma de panteísmo,
e precisa-se ir mais a fundo para entender a natureza
espiritual de Deus. Um panteísta que falha
em ver além das majestosas e complexas manifestações
da matéria talvez seja até mesmo tachado
de ateísta, tendo rejeitado a origem pessoal,
transcendente e todo-atrativa dessas.
Foi dito que uma visão mais liberal de panteísmo
também pode ser encontrada nos ensinamentos
do Gita. Srila Prabhupada escreve:
“Panteísmo, em seu status mais elevado, não
permite ao estudante formar um conceito impessoal
da Verdade Absoluta, senão que estende a concepção
da Verdade Absoluta ao campo da assim-chamada energia
material. Tudo criado pela energia material pode ser
conectado com o Absoluto através de uma atitude
de serviço, que é a parte essencial
da energia viva. O devoto puro do Senhor sabe a arte
de converter qualquer coisa pervertida na existência
espiritual de tal coisa através da atitude
de serviço, e apenas com essa postura devocional
a teoria panteísta pode ser perfeita” (Srimad-Bhagavatam
2.1.20, Significado).
Aqui, Prabhupada sugere que a perspectiva panteísta
pode ser um estágio preliminar imperfeito que
pode conduzir a uma realização mais
madura e completa da Verdade Absoluta como algo muito
maior do que o que pode ser encontrado na natureza
material. Isso é correlato à visão
Vaisnava da realização Brahman como
um conceito de Deus impessoal e primário.
Panenteísmo e Paramatma
Enquanto que o Gita vê o panteísmo como
imaturo e incompleto, ele abraça mais prontamente
a visão panenteísta, vendo todas as
coisas como imbuídas na presença de
Deus e todas as coisas também como sendo Deus.
Como que se opondo ao panteísmo, que vê
Deus como tudo, o panenteísmo vê Deus
em tudo (pân = tudo, en = em, e theos = Deus)
ou tudo em Deus. A palavra é usada nos dois
sentidos. 2
2 Philip Clayton e Arthur Peacocke, eds. 2004. In
Whom We Live and Move and Have Our Being: Panentheistic
Reflections on God’s Presence in a Scientific World
(Grand Rapids, MI.: Eerdmans).
O termo panenteísmo é atribuído
ao filósofo alemão Karl Christian Friendrich
Krause (1781-1832), que desejava conciliar monoteísmo
e panteísmo. De um ponto de vista Vaisnava,
o panenteísmo tem algumas características
libertadoras. Krsna, por exemplo, diz no Bhagavatam
(11.15.35-36), “Eu existo dentro de tudo como a Superalma,
e fora de tudo em Meu aspecto todo-penetrante”. O
Gita (6.30) nos encoraja a ver tudo em Krsna e Krsna
em tudo: yo mam pasyati sarvatra sarvam ca mayi pasyati.
E o Brahma-samhita (5.35) nos traz: “todos os universos
existem nEle [Krsna], e Ele está presente,
em Sua plenitude, dentro de cada átomo”. Tratam-se
claramente de afirmações panenteístas.
Agora, para Deus caber dentro de tudo, Ele teria de
ser menor que o menor, e para tudo caber dentro dEle,
Ele teria de ser maior que o maior. Ele teria que
ser ambos simultaneamente, algo inconcebível.
De fato, é precisamente dessa forma que Ele
é descrito em numerosas passagens escriturais.
O Svetasvatara Upanisad (3.9), por exemplo, diz-nos
que Deus é menor que o menor e maior do que
o maior (anor aniyan mahato mahiyan). O Gita nos traz
que Deus é tanto o menor (anor aniyamsam, 8.9)
quanto o maior (vibhum, 10.12), e também revela
que todos os seres estão em Krsna (mat-sthani-sarva-bhutani,
9.4).
O lado alternado do mesmo conceito, que Deus está
dentro de tudo, conduz-nos ao assunto do Paramatma.
Panenteísmo, neste caso, deve ser considerado
um equivalente ocidental para a realização
Paramatma, onde se vê Krsna (ou Sua expansão
Visnu) como todo-penetrante – existindo dentro do
coração de todo ser humano e, até
mesmo, dentro de todo átomo. Trata-se de um
aspecto mais pessoal e localizado do Senhor, se comparado
com a concepção panteísta de
Brahman. Mas a coisa não é assim tão
simples.
Há diferenças entre o panenteísmo,
como comumente entendido, e a concepção
Vaisnava de Paramatma. Embora a similaridade de “Deus
em tudo” exista em ambos, Paramatma vai mais além,
dando uma “face” ao Deus do panenteísmo. O
fator crítico aqui é a forma. Tanto
o Gita quanto o Bhagavatam (2.2.9-11), especialmente,
são um tanto específicos quanto a como
Visnu aparece em cada átomo: “Ele tem quatro
braços, carregando um lótus, uma roda
de quadriga, um búzio e uma maça, respectivamente.
Sua boca expressa sua felicidade. Seus olhos são
longos como pétalas de lótus, e Suas
veste, amarelas como o açafrão da flor
kadamba, são adornadas com valiosas jóias,
e Ele veste refulgentes brincos e jóias para
a cabeça”.
Além do mais, embora a visão panenteísta
advogue que tudo está em Deus e, às
vezes, que Deus está em tudo, nunca é
clara a relação entre Deus percebido
na natureza e o ser transcendental que á fonte
de tudo o que é visto. 3
3 Aquele que vê “Deus como tudo” (panteísta)
pode facilmente cometer o freqüente erro de identificar-se
com Deus, uma vez que todo indivíduo é
claramente parte do “todo”. Similarmente, uma pessoa
que veja “Deus em tudo” (panenteísta) pode
também simplesmente ver o divino em si mesmo
e erroneamente se identificar com Ele. Mas aquele
que tem essas realizações juntamente
com a realização Bhagavan, adorando
Deus em um espírito de monoteísmo, está
menos propício a ser vitimado por tal compreensão
errônea.
O Bhagavatam e o Gita dão-nos uma idéia
muito mais desenvolvida – ou diríamos, sofisticada
– acerca dessa fonte. Tais textos Vaisnavas nos dizem
que Krsna é a origem de todas as manifestações
divinas, e que Paramatma é uma emanação
da fonte original, compartilhando plenamente de Sua
natureza transcendental. A onipotente Pessoa Suprema
pode reproduzir Seu ser essencial aparecendo em “uma
forma pessoal expandida de Si mesmo”, como Prabhupada
descreve Paramatma. Então, se podemos oferecer
nova terminologia para a tradição teológica
ocidental, chamemos a teologia de Paramatma de “Extensionismo
Pessoal”. Isso difere tanto da visão de que
Deus é, em certo sentido, idêntico a
tudo o que é (panteísmo) quanto da visão
de que Ele está impessoalmente dentro de tudo
o que vemos (panenteísmo). Mas isso ainda não
é o monoteísmo propriamente dito.
Monoteísmo
e Bhagavan
Quando os acadêmicos falam sobre “as três
grandes tradições monoteístas”,
eles normalmente não incluem o Vaisnavismo
ou a tradição do Bhagavad-gita, senão
que estão falando do Judaísmo, do Cristianismo
e do Islamismo. Mas se eles olhassem apenas um pouquinho
abaixo da superfície, eles talvez encontrassem
a mais antiga tradição monoteísta.
É verdade que se deve ser cauteloso quando
aplicando termos de um conjunto de tradições
religiosas em outro com sua própria história,
desenvolvimento e maneiras de pensar a espiritualidade.
Pessoas que se identificam com a tradição
Judaico-cristã têm idéias muito
particulares em mente quando se referem ao monoteísmo,
e isso deveria ser respeitado. O mesmo pode ser dito
em relação aos termos panteísmo
e panenteísmo. Mas feito este ressalvo, o Deus
do Gita é claramente um Ser Supremo e o recipiente
da adoração monoteísta: Krsna
é descrito como o Deus dos deuses (10.14),
a origem de todos os outros deuses (10.12), a pessoa
primordial (11.38), o Senhor dos mundos (5.29), o
criador e mantenedor de tudo (8.9) e assim por diante.
Como Krsna diz, ninguém é igual ou superior
a Ele (11.43).
A supremacia de Krsna é, de fato, tão
escancarada que se pergunta como podem existir dúvidas
a esse respeito. Talvez por Ele ser contrastado com
outros deuses – semideuses, ou especialmente seres
dotados de poder – que servem de administradores universais.
De fato, essa é a razão pela qual várias
formas de religião indiana são frequentemente
descritas como politeístas, ou como fomentadoras
da adoração de vários deuses.
Mas, ao menos em termos do Gita, tais encargos não
encontram sustentação. Embora outros
deuses talvez existam, Krsna é claramente supremo.
Estudantes bíblicos talvez queiram nos interromper
aqui, clamando que, uma vez que outros deuses são
até mesmo reconhecidos, a religião do
Gita não é verdadeiro monoteísmo,
no senso tradicional da palavra. Deve ser lembrado,
todavia, que antigas tribos Israelitas praticavam
a “monolatria” como em oposição ao monoteísmo
estrito: eles adoravam um Deus Supremo dentre vários.
Além do que, como já exposto, usamos
o termo monoteísmo com cautela.
Também deveria ser notado que o monoteísmo
do Gita é distinto, merecendo uma terminologia
própria para si. Oportunamente, Graham M. Schweig,
professor de estudos religiosos da Universidade Christopher
Newport, Virgínia, chama o Vaisnavismo do Gita
de “monoteísmo polimórfico”, ou seja,
uma teologia que reconhece várias formas (ananta-rupa)
de uma única, individual e unitária
divindade. 4
4 Graham M. Schweig, “Krishna, the Intimate Divinity,”
in Edwin F. Bryant and Maria L. Ekstrand, eds., 2004.
The Hare Krishna Movement: The Postcharismatic Fate
of a Religious Transplant (New York: Columbia University
Press), p. 18.
Uma vez que é afirmado aqui que Deus tem muitas
formas, uma pessoa poderia superficialmente acusar
a tradição de ser politeísta.
Mas aqueles que entendem propriamente a tradição
sabem que ela apenas reconhece a capacidade de Deus
estar em vários lugares em várias formas
ao mesmo tempo. Isso não quer dizer que toda
forma seja forma de Deus. A literatura Védica
é bem clara quanto à constituição
de uma forma do Senhor Supremo, e apenas essas devem
ser adoradas.
O Gita promove a adoração a uma Suprema
Personalidade de Deus, também conhecida por
Bhagavan. 5
5 Em última instância, como aponta o
Dr. Scweig, a tradição pode ser vista
como bi-monoteísmo polimórfico, uma
vez que atesta uma divindade de dois gêneros
cuja manifestação derradeira é
Sri Sri Radha-Krsna (Ibid. p. 19).
Mas a adoração monoteística de
Bhagavan, amorosamente adorado como Krsna ou Visnu,
é única na história das religiões,
pois por aqui podemos de fato visualizar o Senhor
de nossas orações. Se as escrituras
estabelecem um rosto para Paramatma, descrevendo como
Ele existe dentro de cada átomo, elas fazem
muito mais por Sri Krsna. Os devotos se tornam íntimos
de Suas numerosas características extasiantes
e de Suas atividades diárias com Seus associados
eternos no mundo espiritual.
Três Aspectos da Mesma Verdade
Eu concordaria com os três acadêmicos
mencionados no começo deste artigo, aceitando
suas diversificadas visões. Como o primeiro
desses homens bem-intencionados, eu reconheço
que o Gita promove um tipo de panteísmo, a
presença de Deus como uma dimensão metafísica
da natureza. Mas eu me adiantaria para adicionar que
o panteísmo do Gita vai além do tipo
de panteísmo que estamos acostumados a ouvir
no ocidente. Ele nos revela que há uma pessoa
por detrás da divindade perceptível
no mundo material. Concordo, também, que o
Gita nos revela uma forma de panenteísmo, compartilhando
com seus leitores a imanência de Deus e como
podemos perceber tal imanência em nossa vida
rotineira. E, finalmente, é claro, concordo
com o terceiro acadêmico mais do que todos –
que o ensinamento último do Gita é bhakti,
ou devoção pela Suprema Personalidade
de Deus. Bhakti é a coroa do Gita.
Do que discordo é a maneira com que os três
acadêmicos abordam a diversidade do Gita. O
Gita nos traz diversas visões de Deus, todas
legítimas e cada uma revelando diferentes aspectos
do divino. O fato de um desses aspectos estar correto
não faz dos outros incorretos. Ao contrário,
o Gita se diverte em uma realidade multifacetada,
levando o seu leitor dos conceitos fundamentais da
Verdade Absoluta até Krsna, a Suprema Personalidade
de Deus.
Brahman, Paramatma e Bhagavan são três
aspectos da mesma Verdade, manifestando-se de forma
variada de acordo com a realização e
conhecimento de cada praticante da vida espiritual.
Aqueles que abordam Deus através do conhecimento
tendem a realizar Seu aspecto de eternidade e, em
perfeição, essa é a realização
Brahman. Yogis e místicos meditam no Senhor
no coração, e o ponto mais alto de tal
meditação se chama realização
Paramatma. Aí a pessoa não só
realiza a eternidade, mas também o fim último
de todo o conhecimento. Finalmente, a mais elevada
e inclusiva busca teísta culmina na devoção
por Deus. Aqueles que adotam esse processo se focam
em Bhagavan, a adoração que conduz ao
amor divino. Aqui, obtém-se o benefício
de todos os outros processos, proporcionando ao praticando
o ápice, não apenas da eternidade e
do conhecimento, mas também da bem-aventurança.
Isso é o melhor que o panteísmo, o panenteísmo
e o monoteísmo têm a oferecer.
Tradução por Bhagavan dasa
(DVS)
|
|