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Artigos originalmente publicados na revista Volta
ao Supremo [Back to Godhead] – Fundada por Srila
Prabhupada no ano de 1944 -
Artigo referente à edição do
bimestre de março/abril de 2008
Xeque-Mate:
A Vitória da ISKCON na Rússia
-
por Satyaraja Dasa
O sol se pusera há pouco em 11 de julho de
1972. Amantes do xadrez enchiam um estádio
em Reykjavik, Islândia, enquanto milhões
acompanhavam pela TV ou por rádio. O jogo acontecia
sob o rótulo de “A Partida do Século”.
Bobby Fischer desafiava o russo Boris Spassky pelo
seu título de campeão mundial, plenamente
ciente de que sua emergente vitória teria implicações
na Guerra Fria mundial.
Apenas um ano atrás,
Srila Prabhupada vinha planejando uma estratégia
para levar Deus à Rússia soviética
ateísta. Se pensássemos na resolução
de Prabhupada como uma partida de xadrez, seria como
se ele tivesse poucas peças em jogo, enquanto
os Soviéticos dispunham ainda de cavalos, torres
e bispos e dominassem as casas estratégicas
do tabuleiro. Mas mesmo um único peão
ou bispo, se apoiado por um poderoso casal real, pode
algumas vezes derrotar um brilhante estrategista e
colocar abaixo as muralhas de seu castelo; e é
assim que a vitória de Prabhupada eclipsa a
partida ordinária de xadrez do Campeonato Mundial
de 1972.
Srila Prabhupada primeiramente
tentou entrar na União Soviética como
um representante oficial da Índia, escrevendo
uma carta ao Ministro da Cultura com suas intenções.
Mas lhe foi negado ingresso no país sem nenhuma
explicação. Finalmente, após
diversas tentativas, foi-lhe dado um visa de turista
que lhe garantia uma breve estadia, ainda que não
o autorizasse a palestrar na Universidade de Moscou
– uma das razões para Prabhupada desejar ir
à Rússia.
Não obstante,
os cinco dias que Prabhupada esteve em solo russo
dispuseram a seu favor a oportunidade de se posicionar
apropriadamente para o derradeiro xeque-mate que seu
movimento daria posteriormente na União Soviética.
Sua estratégia inicial foi colocada em prática
quando, através de seu discípulo e secretário
Syamasundara dasa, ele se encontrou com um jovem e
sincero inquiridor russo – Anatoly Pinyayev – que
logo se tornaria Ananta-shanti dasa, seu destemido
e solitário seguidor soviético. Outra
jogada adiante foi a conversa de Prabhupada com o
professor universitário G. G. Kotovsky, o então
coordenador do Departamento de Estudos Indianos e
Sul-Asiáticos da Academia Científica
da União Soviética. Prabhupada deixou
uma impressão distinta em Kotovsky, que publicou
a conversa entre eles em um importante periódico
russo, o Otkrytyi Forum, sob o nome de “Vaisnavismo”.
Mas foi Ananta-shanti quem tornou seu coração
aberto para a residência da mensagem de Prabhupada,
e passou a distribuir sozinho e com grande entusiasmo
o que havia aprendido para centenas de soviéticos,
muitos dos quais se tornaram devotos.
Após se encontrar
com o entusiasmado jovem russo, Prabhupada observou:
“Assim como você pode dizer se o arroz está
devidamente cozido pegando apenas um pequeno grão,
você também pode conhecer toda uma nação
observando um de seus jovens”.
Posteriormente, em
1977 e 1979, a Bhaktivedanta Book Trust recebeu um
convite da prestigiosa Feira Internacional do Livro
de Moscou, levando pela primeira vez os livros de
Prabhupada ao conhecimento dos moscovitas. O New York
Times (31 de julho de 1983) grifou a importância
do acontecimento: “[A feira] fez crescer a curiosidade
dos russos, os livros se alastraram e os Hare Krsnas
conseguiram sua entrada na Rússia”.
Mas, em 1980, sob
o governo de Brezhnev, muitos devotos foram atirados
na prisão, iniciando uma relação
tensa e muitas vezes traumática entre a ISKCON
e a União Soviética.
Em meados dos anos
80, Yuri Andropov assumiu o poder e intensificou a
campanha já em vigor na época em prol
do banimento do movimento Hare Krsna. Ele via os devotos
como que representando todas as idéias religiosas,
e estava determinado a acabar definitivamente com
eles. Em virtude do entusiasmo contagiante de Ananta-shanti
e os impressionantes resultados da Feira do Livro,
Semyon Tsvigun, o vice-capitão da KGB, sob
a ordem de Andropov, disse que as três principais
ameaças à União Soviética
eram “a música pop, a cultura ocidental e o
movimento Hare Krsna”.
Tais pronunciamentos,
e os sentimentos que os nutriam, tiveram por conseqüência
uma intensa opressão contra os devotos Hare
Krsnas.
A ISKCON se Movimenta pelo Tabuleiro
Assim, com a ISKCON declarada como uma das
grandes ameaças à nação
soviética, a batalha em curso teve seguimento.
Mas não era algo como Fischer versus Spassky
– dois adversários nivelados e em duelo um
a um. Essa guerra se deu com um estado totalitário
contra um relativamente pequeno número de devotos
de Krsna. Conseqüentemente, dúzias de
soviéticos recém adeptos da ISKCON foram
conduzidos a prisões, campos de trabalho e
hospitais psiquiátricos, sofrendo cruéis
maltratos nas mãos de políticos e policiais
adoradores do Estado. Muitos devotos foram torturados
e mortos nas prisões, sem, no entanto, abandonarem
o que acreditavam.
Harikesha Svami, o
então GBC da ISKCON União Soviética,
não ficaria parado diante de tais horrores.
Como força propulsora para uma reforma, ele
tornou a tragédia uma preocupação
mundial. Kirtiraja vinha atuando como secretário
regional da ISKCON União Soviética desde
1979. Ele deu início a uma campanha internacional
de divulgação e de manifestações
de forma a pressionar as autoridades soviéticas
a libertarem os devotos aprisionados e a interromperem
a perseguição ao movimento Hare Krsna.
Para dar seguimento a esta iniciativa, ele fundou
o Comitê para Liberação dos Hare
Krsnas Soviéticos. Vozes de apóio se
ouviram na reunião de cúpula Reagan-Gorbachev,
em Reykjavik, nas Nações Unidas, e em
jornais internacionais. No encontro de novembro de
1986 em Viena da Comissão de Segurança
e Cooperação Européia, a organização
internacional que monitora o cumprimento dos direitos
humanos da Declaração de Helsink, membros
do movimento Hare Krsna novamente chamaram atenção
para a condição crítica dos devotos
soviéticos aprisionados.
A situação
atingiu seu cume posteriormente naquele ano quando
Sri Prahlada dasa, então um devoto pré-adolescente
de uma escola australiana da ISKCON, juntou-se aos
esforços de Kirtiraja. Ele e os Krsna Kids
gravaram um álbum com o selo internacional
da EMI, uma das maiores gravadoras do mundo. O álbum
incluía a música Free the Soviet Krsnas,
um apelo a Gorbachev que também foi lançado
como um single. Prahlada freqüentemente ia a
programas de TV e rádio para promover o álbum
e compartilhar sua ansiedade quanto à condição
dos devotos na Rússia. Por fim os devotos foram
libertados, criando um novo começo para o tema
religião na antiga União Soviética.
Peões, Gambitos e Meias-Vitórias
Em um belo dia primaveril de 1988, o Conselho
de Assuntos Religiosos registrou oficialmente a Sociedade
Moscovita para a Consciência de Krsna, dando
fim, ou assim parecia, à longa animosidade
entre os devotos e o Estado. (Era a primeira sociedade
religiosa registrada na União Soviética
desde a Segunda Guerra Mundial). Agora os devotos
podiam cantar em público e praticar livremente
todos os aspectos de sua religião. Naquele
mesmo ano, mais de 1600 novas comunidades religiosas,
a maior parte delas russas ortodoxas, foram registradas.
Uma mudança
estava claramente acontecendo, e muitos especialistas
atribuíram a mudança, em grande parte,
aos devotos. Apenas dois anos depois, respondendo
a uma solicitação da ISKCON, as autoridades
moscovitas cederam um deteriorado sobrado de dois
andares para ser usado como templo. Depois de reformarem
a propriedade, os devotos abriram o primeiro templo
da ISKCON da história da Rússia e do
bloco soviético, um templo também freqüentado
por extenso número de Hinduístas.
Então em 1991,
a ISKCON solicitou um terreno em que pudesse construir
um autêntico templo Védico em Moscou,
um projeto gigantesco. Surpreendentemente, a solicitação
foi aprovada, e os devotos começaram a procurar
por um terreno adequado. Parecia que o governo estava
disposto a dar aos devotos russos tudo o que quisessem.
Mas isso não
durou. As autoridades russas logo sucumbiram aos mesmos
preconceitos religiosos que ostentavam no passado.
O Conselho de Bispos da Igreja Ortodoxa Russa fez
uma declaração oficial chamando os ensinamentos
do Bhagavad-gita de “produto de uma falsa religião”;
e trataram todas as demais religiões como uma
ameaça à unidade de consciência
nacional e identidade cultural da Rússia.
Em 1997, um projeto
de lei foi aprovado pelo Duma [a assembléia
legislativa da Rússia] reconhecendo a Igreja
Ortodoxa Russa como a única religião
preeminente da Federação Russa, com
um adendo reconhecendo apenas outras três fés
“tradicionais” ali: o Judaísmo, o Islamismo
e o Budismo. Outras religiões não teriam
o mesmo status legal ou qualquer apóio em seus
trabalhos missionários.
Mas os devotos, mais
uma vez, não se deixariam intimidar. O templo
da ISKCON havia se tornado o único local de
adoração para mais de dez mil indianos.
Ao longo dos anos 90, a Consciência de Krsna
na Rússia começou a prosperar, resultando
em 97 comunidades registradas, 22 monastérios
e 250 grupos domésticos.
Com o alvorecer do
novo milênio, o primeiro ministro da Índia,
A. B. Vajpayee, inteirou-se do trabalho da ISKCON.
A despeito da gentil aprovação de Vajpayee,
o governo de Moscou decidiu utilizar a área
ao redor do já tradicional templo da ISKCON,
ameaçando novamente a prática dos devotos
da Consciência de Krsna.
E assim se sucedeu
que, em 2004, o governo moscovita reouve a construção
para si e a destruiu de acordo com os planos de reforma
da cidade, privando milhares de devotos de seu local
de adoração.
Procurando apoio,
a ISKCON pediu ajuda a políticos indianos preeminentes.
Até a data deste evento, Vajpayee, o antigo
primeiro ministro, já acompanhava os eventos
na Rússia há alguns anos. Ele se encontrou
com os devotos em muitas ocasiões, tanto na
Índia quanto em Moscou, para estudarem a melhor
maneira de solucionar o dilema.
Em janeiro de 2004,
após anos de luta, o prefeito de Moscou finalmente
assinou uma ordem proclamando que uma nova terra seria
dada para um novo templo da ISKCON em uma localização
prestigiosa de Moscou e livre de impostos – certamente
em virtude da solicitação dos importantes
políticos indianos. O terreno se localizava
na principal estrada de Kremlin para o aeroporto internacional,
a cerca de dez minutos de carro do coração
de Moscou. Os devotos se mudaram com grande contentamento
para uma edificação temporária
em seu recém-adquirido terreno e começaram
a se preparar para desenvolver o novo templo e complexo
cultural.
Não levou muito
tempo, entretanto, para que a Igreja Ortodoxa Russa,
juntamente com autoridades Muçulmanas e Judias,
manifestassem- se contra essa construção,
opinando que a religião de Krsna era completamente
adversa à tradição russa. Protestantes
se reuniram na praça Pushkin, no centro da
capital, erguendo bandeiras e banners como avisos
do tipo “Seguidores de Krsna Fazem Lavagem Cerebral”
e “Amigos, Defendam Sua Fé. Somos Contra a
Propagação de Seitas. Cuidado!”.
Os protestos ofenderam
aproximadamente 100.000 seguidores do Senhor Krsna
ao longo do país. Em resposta, a comunidade
indiana da Rússia, liderada por Sanjit Kumar
Jha, presidente da Associação de Indianos
na Rússia, retaliou, e uma veemente discussão
tomou lugar novamente. Embora os devotos soubessem
que Krsna emergiria vitorioso ao fim, parecia que,
naquele momento, havia reveses para os devotos. Assim
como Spassky realizou alguns movimentos estratégicos
nas primeiras jogadas da partida contra Fischer, Kremlin
parecia estar assumindo o controle agora. Em outubro
de 2005, repentinamente, o prefeito de Moscou, Yury
Luzhkov, desfez sua ordem a favor do cedimento do
terreno para a ISKCON, e o templo foi então
demolido.
De forma bastante
conveniente, o escritório do procurador executivo
da cidade encontrou discrepâncias legais na
redação da ordem original e decidiu
revisar o documento. O pedido de revisão foi
apenas um subterfúgio para que pudessem gradualmente
cancelar de forma definitiva a cessão do terreno.
Em suma, os devotos não tinham onde dormir,
nem um local de base para suas práticas e trabalhos
de pregação.
Nessa situação,
inúmeros jornalistas e repórteres foram
dos principais jornais, programas de rádio
e redes de TV foram ao encontro dos devotos, inclusive
o principal noticiário russo, o “Vremyachko”.
Sua Santidade Bhakti Vijnana Gosvami, presidente da
ISKCON Rússia, foi entrevistado, assim como
foram muito membros preeminentes da comunidade indiana,
que expuseram claramente sua indignação
e revolta com tudo aquilo. O Vishwa Hindu Parishad
interveio, concordando em organizar uma campanha de
nome “Defesa dos Hindus Russos”. Os dignitários
indianos e russos se manifestaram, até que
suas vozes foram ouvidas em alto e bom som.
Fim de Jogo
O prefeito de Moscou finalmente alocou terra à
ISKCON, apesar das objeções da Igreja
Ortodoxa, que ameaçaram fazer novos protestos
contra a construção de um templo Hare
Krsna. Mas a sorte foi lançada, e o prefeito
voltar atrás quanto à sua decisão
parece bastante improvável. Os devotos fizeram
uma jogada determinante.
A importância
da alocação de um terreno de forma definitiva
deve ser claramente entendida. O Cristianismo, Islamismo,
Budismo e Judaísmo, juntamente com a Igreja
Ortodoxa Russa, são as tradições
religiosas russas, consideradas parte de sua herança;
e a religião Hare Krsna – o Vaisnavismo e também
seus parentes Hindus – não é parte desse
grupo exclusivo, que o governo concede valor histórico.
Não foi concedido terreno nem mesmo para seitas
Católicas e Protestantes; a única seita
Cristã a conseguir terras foi a Igreja Ortodoxa
Russa. Assim, além das outras três religiões
aceitas, a ISKCON foi a única a receber terra.
Uma importante voz
a influenciar a decisão do prefeito foi aquela
da Ministra de Delhi, Sheila Dikshit, que havia ido
à Rússia para participar do Delhi Culture
Fest e para renovar relações diplomáticas.
Ela estava transtornada com a demolição
do templo e insistia que a situação
deveria ser imediatamente remediada.
Anteriormente, a questão
havia sido levantada em vários encontros diplomáticos,
com o presidente Russo, Vladimir Putin, assegurando
ao Primeiro Ministro indiano, Man Mohan Singh, que
ele investigaria o caso. Ao que parece, ele realmente
o fez.
K. Raghunath, embaixador
da Índia na Rússia, fez o seguinte pronunciamento
circulado nacionalmente:
Eu também gostaria
de pronunciar algumas palavras no que diz respeito
à Sociedade Internacional para a Consciência
de Krsna, a ISKCON. Somos muito próximos dessa
organização. A ISKCON obteve grande
sucesso na disseminação da filosofia
do Bhagavad-gita e na sua aplicação
na vida diária. Além disso, a ISKCON
trabalha seriamente para preservar e proteger a cultura
ímpar da Índia. A ISKCON também
é digna de glorificação por não
deixar que o laço de amizade entre a Rússia
e a Índia se afrouxe.
A campanha para construir
o novo templo, conhecida como Temple of the Heart
[Templo do Coração], está recebendo
suporte de patrocinadores do mundo inteiro.
O outono de 2006 testemunhou
um novo nascer para a ISKCON Rússia: Mais de
seis mil pessoas, a maior parte indianos, foram ao
ainda inacabado mas belíssimo templo para celebrar
o Janmastami, o dia em que se comemora o advento do
Senhor Krsna neste mundo. O evento contou com a presença
do embaixador do Nepal, do Sri Lanka e das Ilhas Maurícias,
e do diretor do Centro Cultural J. Nehru. Um ano mais
tarde, também no Janmastami, a ISKCON assinou
um contrato para dar início aos planos arquitetônicos
do novo templo. Nesse dia, a ISKCON também
assegurou todas as autorizações governamentais
necessárias para começar a construção.
Embora algumas intrigas
persistam, com grupos de interesses pessoais tentando
frustrar o empenho dos devotos, nada pode detê-los
agora. Eles têm importantes líderes políticos
ao seu lado, e o público geral ficou bem ciente
de toda a situação. Qualquer tentativa
de vetar o projeto tomaria rapidamente a mídia.
Graças aos esforços resolutos dos devotos,
ao governo indiano e a outras entidades internacionais,
a ISKCON Rússia agora repousa sobre solo firme.
“Foi tudo arranjo
de Krsna”, diz Bhakti Vijnana Gosvami, um dos GBCs
da ISKCON Moscou (ao lado de Niranjana Svami e Gopala
Krsna Gosvami). “Apesar de toda a trama política
e dos tempos difíceis, terminamos com a posse
do melhor terreno possível – imensamente melhor
do que o anterior, e bastante similar a Vrndavana,
onde Krsna viveu na Terra há cinco mil anos.
Ele se localiza próximo ao centro da cidade
e está no meio de dois belos rios, rodeado
de montanhas e belas áreas florestais. Krsna
sabia o que estava fazendo. Centenas de milhares de
pessoas virão para aprender meditação
mântrica e a filosofia da Consciência
de Krsna”.
Mesmo em 2003, quando
passavam por momentos difíceis, os devotos
conseguiram considerável sucesso: Quase 6.000
pessoas visitaram o templo nesse ano, e um adicional
de 14.500 estudantes prestaram serviços no
templo como parte de uma experiência extra-classe
obrigatória. Devotos cantaram regularmente
pelas ruas de Moscou, distribuíram prasadam
profusamente, e colocaram mais de 160.000 livros em
mãos russas.
Naturalmente, com
o novo templo, as coisas apenas cresceram. A congregação
indiana conta com aproximadamente 15.000 pessoas,
muitos deles estudantes de faculdades e de outras
instituições de ensino. Muitos nativos
moscovitas se tornam devotos em tempo integral ou
freqüentam os serviços e festivais do
templo da ISKCON ao longo do ano. Os livros de Prabhupada
aparecem agora em dez das línguas oficiais
da Rússia, e mais de onze milhões de
cópias de seu Bhagavad-gita Como Ele É,
em russo, foram distribuídas.
O Centro Cultural Védico
Com tudo narrado até aqui, o novo templo é
claramente o grande troféu da batalha da ISKCON
Rússia pela liberdade religiosa. Como atualmente
planejado, além do templo, o Centro Cultural
Védico conta com os seguintes projetos:
1. Central de Exposição
Multimídia
2. Centro Cultural e Educacional
3. Biblioteca de Clássicos Védicos
4. Centro de Serviços Sociais
5. Centro de Saúde Preventiva
6. Salão de Conferências
7. Restaurante de Culinária Védica
8. Jardim de Inverno
Devotos preeminentes
da ISKCON de todo o mundo visitaram o ainda-engatinhante
projeto do templo de Moscou, ouviram a visão
de futuro de seus líderes, e foram embora muito
bem impressionados, não podendo deixar de reconhecer
seu potencial e a repercussão que teria mundialmente.
Bhakti Tirtha Svami
(1950-2005) disse pouco antes de deixar este planeta:
“Podemos notar que os devotos russos são os
devotos mais entusiastas do mundo. Muitos devotos
estão sendo feitos, muita oportunidade de pregação,
muitas pessoas se empenhando. Precisamos, portanto,
de algo verdadeiramente grande, verdadeiramente maravilhoso,
para acomodar todas essas pessoas [...]. A história
mostrará como os devotos da CEI, principalmente
da Rússia, foram investidos de poder para estabelecer
esse templo grande e glorioso, que ficará mundialmente
conhecido”.
“Estamos muito empolgados”,
ele continuou. “Queremos encorajar tantas pessoas
quanto possível para apoiarem esse empenho
– pois não se trata de algo apenas para a CEI,
ou para a Rússia, mas [...] para o mundo inteiro,
algo que Srila Prabhupada desejou muito. Prabhupada
se preocupava em pregar no mundo inteiro, e, em seus
últimos dias aqui, ele focou muito na pregação
da ISKCON em países comunistas”.
Radhanatha Svami também
se manifestou sobre o poder de extensão do
projeto na Rússia: “Eu sinceramente acredito
que a construção desse templo em Moscou
é um dos projetos mais importantes da história
do movimento Hare Krsna”.
“Srila Prabhupada
esteve pessoalmente em Moscou no começo dos
anos 70”, diz Radhanatha Svami, “e, embora o país
estivesse sob a Cortina de Ferro, onde o ateísmo
e o comunismo eram preeminentes, Srila Prabhupada
viu os russos com excelente potencial para aceitarem
a doutrina do amor puro e incondicional pelo Senhor
Sri Krsna. Assim ele escreveu que, se os devotos se
esforçassem juntos e com sinceridade, [...]
esse templo se tornaria uma realidade. Ele enfatizou
diversas vezes que isso seria um grande triunfo”.
Bhakti Caru Svami
também falou com grande entusiasmo sobre a
importância do trabalho dos devotos na antiga
União Soviética: “Quem poderia imaginar
que a Consciência de Krsna se espalharia pela
Rússia? Mas Caitanya Mahaprabhu predisse que
o Movimento para a Consciência de Krsna se espalharia
por todas as vilas e cidades do mundo, e, sendo Ele
a Suprema Personalidade de Deus, Sua predição
é infalível”.
Bhakti Vijnana Gosvami
conclui: “O estabelecimento deste templo na Rússia
é algo grandioso – histórica, simbólica,
emocional e espiritualmente. O templo também
será grande em tamanho, acomodando milhares
de devotos, visitantes e pessoas buscando por Krsna.
Já estamos vendo isto em um nível prático,
e seu impacto só fica atrás dos templos
da Índia. Com o passar do tempo, sua influência
será sentida por todo o mundo, não apenas
na Europa Oriental, Rússia e antiga União
Soviética. Ele será de grande valor
para a ISKCON e para além da ISKCON, será
de grande valor para o mundo”.
Boris Spassky perdeu
a partida pelo título de campeão mundo
de xadrez para Bobby Fischer. Embora o enxadrista
russo tenha detido o título por mais de cinqüenta
anos, essa foi a primeira vez que um jogador soviético
entraria em uma partida para perder. No jogo de xadrez,
a estratégia superior sempre vence no final,
mas, na vida, o melhor é sempre situar-se no
lado dos íntegros e virtuosos. Como o Bhagavad-gita
nos diz em seu verso conclusivo: “Onde quer que esteja
Krsna, o Senhor de todos os místicos, e onde
quer que esteja Arjuna, o arqueiro supremo, com certeza
também haverá opulência, vitória,
poder extraordinário e moralidade”. Praticamente
todo moscovita hoje se beneficia com os livros de
Srila Prabhupada e com os santos nomes de Krsna, o
que é a jogada da vitória. E embora
a Praça Vermelha continue, por ora, como a
localidade mais famosa da cidade de Moscou, a chegada
do novo Templo do Senhor Krsna logo colocará
tudo mais em xeque.
.
Tradução
por Bhagavan dasa (DVS)
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